Reportagem se baseou em Boletim de Ocorrência

Falando da cidade de Rondonópolis (MT), um cidadão que se identificou como Heben de Moraes prometeu processar o FOLHA DO SUL ON LINE por causa de uma reportagem sobre a prisão de um irmão dele após um assalto em Vilhena. Antes, o mesmo homem havia enviado para a redação o seguinte e-mail: “Assaltantes invadem escritório e ameaçam executar bebê a tiros em Vilhena o Senhor Jornalista responsável por esta reportagem deve realizar retificações. A mesma contem informações fantasiosas, falsas e infundamentadas. O Titulo da reportagem, assim como o texto geral, deve conter a informação que são apenas suspeitos, não se trata de "Assaltantes" e sim suspeitos do assalto. a manutenção desta reportagem é passível de processo por danos morais, injuria e difamação. Também não condiz com o real papel da impressa”.
Na ligação, porém, a educação do interlocutor não foi a mesma: “O senhor tem prazo até as 11:30h desta quinta-feira para fazer esta correção, senão eu vou te processar”, disse por telefone ao editor do site.
Heben disse acreditar na inocência do irmão e alega que ele não tem qualquer participação no crime, alegando que o suspeito, Márcio Tobias de Moraes, 32 anos, é apicultor e pedreiro, e estava construindo a casa do irmão, também apontado como autor do crime, no momento em que foi preso.
Segundo o irmão do suspeito, Márcio conseguiu se livrar da acusação por tráfico, mesmo sendo preso com drogas e em companhia de outros dois homens na cidade de Nova Lacerda, em 2013, justamente por causa de erros policiais. Ele insinuou que, na situação atual, estaria acontecendo a mesma coisa.
Ainda exaltado e prometendo se encontrar com o jornalista “no tribunal”, o autor da ligação argumentou: “Ele vai provar sua inocência. Mas como fica a sua consciência, sabendo que o Márcio pode ser linchado acusado de ameaçar um bebê?”.
O site teve como base de sua reportagem, apontada como “fantasiosa e manipulada”, o Boletim de Ocorrência Policial sobre o assalto, no qual estaria envolvido o próprio Márcio, seu irmão, Walter, 27 e um terceiro acusado, identificado como João Marcos Ferreira Sanfelice, 20. O documento policial afirma textualmente que, durante o assalto, um dos homens envolvidos no crime (ambos já reconhecidos pela vítima), teria colocado a arma no rosto de um bebê de 1 anos e seis meses, além de ameaçar matar toda a família.