Paulo Mendes faz acusações contra Jacier Dias


O jornalista Paulo Mendes, filiado há quatro anos no PSC (Partido Social Cristão), em Vilhena, estuda entrar na justiça para questionar a permanência da atual diretoria “provisória” de legenda na cidade. Segundo o filiado, quase todos os sete diretores formam um grupo “sustentado politicamente” pelo vice-prefeito de Vilhena, Jacier Dias (PSC).
A decisão de Mendes está baseada nos últimos acontecimentos envolvendo Dias. O afastamento - praticamente no último minuto do jogo - do grupo do prefeito Zé Rover (PP), reforçou a tese de que Jacier “só trabalha em causa própria”. O jornalista lembrou que alguns membros da diretoria foram ou são cargos de sua confiança na prefeitura e não tem representatividade nenhuma fora do partido.
A vereadora Marta Moreira é o maior exemplo do interesse particular de Jacier em manter, “com mãos de ferro”, o controle do PSC. “A atual vereadora foi sua subserviente secretária durante anos e assumiu cargo na diretoria do partido com o objetivo de sustentar o projeto pessoal de Jacier, condição que lhe garantiria também uma vaga e apoio na disputa de uma cadeira no legislativo municipal”, revela Mendes.
Outro “proprietário” do partido, segundo o comunicador, é o ex pastor Antonio Manoel, envolvido recentemente em um escândalo sexual amplamente divulgado nas redes sociais, que anda a tiracolo do vice-prefeito, e que teria usado do cargo dentro da prefeitura para ajudar na organização do partido. Além dele, um irmão de Jacier também tem voto no PSC e provavelmente nunca recebeu portaria por caracterizar nepotismo. Nesse caso, fica clara, segundo o denuciante, uma forma de “nepotismo” dentro do partido, embora não haja lei que proíba a prática.
Rapahel Cardoso, fiel escudeiro de Jacier, consta no site do partido como tesoureiro e também é portariado do vice na prefeitura. Atualmente lotado na Secretaria de Educação, Raphael garante que se afastou do partido e que vai assumir, em breve, uma nova sigla na cidade. Para o jornalista, a suposta saída de Raphael é apenas uma manobra de Jacier para garantir o controle de outro partido no município. 
O Estatuto do PSC garante a manutenção das diretorias provisórias até a extinção do partido na cidade. Em outras palavras, uma única diretoria pode iniciar e por fim à história do partido dentro do município. “Parece piada haver legalidade para manter uma diretoria provisória que na prática é insolúvel enquanto for de interesse da Executiva Nacional. Uma verdadeira afronta à democracia”, reforça Mendes, que denuncia também o uso do telefone oficial do vice, custeado pela prefeitura, para fins eleitorais, já que o número 8467-3200 consta no site do Diretório Nacional como contato do partido.
O membro do PSC lembra que Jacier prometeu deixar a política quando se afastou do grupo do prefeito e salienta: “Ele garantiu deixar a política. Só não disse quando e ainda mantém o partido com mãos de ferro depois de seis anos como presidente provisório. Além disso, articula para colocar um de seus assessores na direção ‘provisória’ de outra legenda. Que manobra é essa?”, questiona Paulo.
Mendes alerta aos filiados sobre a importância da alternância de poder até mesmo dentro de um partido. Apenas seis pessoas são responsáveis pela escolha de todos os candidatos do PSC a cargos eletivos em Vilhena e em nível estadual, e os critérios para ser “aprovado” em uma convenção dependem exclusivamente da relação com os “sócios” e não com a capacidade das pessoas de disputarem uma eleição em favor da coletividade. “Esse é um dos principais motivos da eliminação de bons nomes para a política. Se você lê a cartilha deles, pode até ser que consiga uma vaga, caso contrário, está fora”, acusa.
O questionamento de Mendes é maior por se tratar de um partido “Cristão”, cujas bases, segundo ele, deveriam respeitar de maneira exemplar os preceitos de igualdade e justiça. Para o jornalista, não é o que acontece com o PSC em Vilhena. Mesmo que o Estatuto diga que alguém pode se eternizar no poder, não é coerente em um pastor se manter nesta condição sabendo que fere princípios que norteiam a vida em sociedade, como a democracia. “Este é um comportamento ditatorial. Não se enquadra no perfil de um pastor, cuja vida espiritual deveria estar acima de seus próprios interesses, aproveitando o poder humano que Deus lhe deu para beneficiar principalmente as pessoas que mais precisam”, reforça.
Com o afastamento de Jacier do grupo do prefeito, há quem garanta que a manutenção do partido nas mãos do vice prefeito será a carta na manga para uma dobradinha com o PMDB, que deve lançar Rosani Donadon a prefeita. Segundo fontes do próprio PSC, citadas por Paulo Mendes, Jacier estaria costurando o acordo antes mesmo de ter se afastado do prefeito.
Para combater essa proteção aos feudos políticos que se instalam nos partidos, a Câmara Federal estuda desde 2008 a PL 645 que prevê a limitação de prazo para a manutenção das diretorias provisórias. Dentro do próprio partido, há iniciativas de lideranças de outros Estados no sentido de coibir a manutenção dessas diretorias por tanto tempo. "Não tenho interesse em concorrer a nenhum cargo da diretoria e até não vejo problema em manter essa mesma diretoria. Só acredito que isso deveria ser avalizado por todos os filiados", encerra.