Ao contrário do que dois sites vilhenenses publicaram ontem, e uma rádio local repercutiu hoje, o jornalista Jovino Lobaz diz ter sido preso na manhã do domingo (3) não porque tenha desacatado o mesário que presidia a seção 57 na Câmara de Vereadores. Segundo o boletim de ocorrência, que leva em consideração somente o que o denunciante disse aos policiais, o mesário João Adalberto Borges deu voz de prisão ao jornalista por considerar que este estaria “promovendo desordem que prejudicava os trabalhos eleitorais” .
“Não desacatei mesária ou mesário algum; também não tentei entrar na seção; nenhum candidato que porventura votava ali motivou minha prisão. Na verdade, o mesário estava despreparado e abusou do poder ao mandar me prender. O conflito ocorreu porque eu queria que minhas três filhas, de 1, 8 e 11 anos, acompanhassem a mãe no momento da votação. Seria um ensinamento sobre cidadania para as meninas. Mas o prepotente mesário disse que era terminantemente proibido. Eu argumentei que tínhamos o direito, porque em toda eleição vemos na tevê candidatos sendo filmados e fotografados acompanhados por crianças na hora de votar. Ele teimou que as crianças não acompanhariam a mãe até a urna. Com a negativa do mesário, insisti que tínhamos esse direito, e, de fora da seção, o fotografei. O arbitrário mesário considerou que esse debate e a minha atitude de fotografá-lo estariam ‘promovendo desordem no local”, esclarece Jovino.
Nessas eleições, entre outros exemplos nacionais e regionais, o candidato a presidência Plínio de Arruda Sampaio levou os netos para a cabine de votação. Em Maceió, Collor votou acompanhado das filhas gêmeas de 4 anos. Cinegrafistas e fotógrafos registraram a ida dos candidatos até a urna. Em Vilhena, candidatos e outros eleitores entraram na cabine de votação com crianças. Em uma seção, o jornalista Edeblandes Ortis, do site extraderondonia, pôde entrar na seção e fotografar eleitor votando.
“Isso significa que não existe proibição da entrada de crianças nas seções. Por acaso, a lei seria diferente para mim? Pelo jeito sim, pois o arbitrário mesário considerou que por exigir esse direito eu estaria ‘promovendo desordem‘. Simplesmente por conta de não me calar diante do direito que todo cidadão deveria ter é que ontem fui preso perante minha mulher e filhas e fiquei detido das 8h30 às 16h10 num salão do fórum. Só estou passando essa informação a respeito do acontecimento deste domingo porque acho que o internauta tem o direito de saber como age a Justiça, baseando-se apenas no relato de um mesário despreparado, e como reportagens apressadas, sem apuração dos fatos, podem levar a interpretações equivocadas. Continuo acreditando no meu direito de ter o acompanhamento das minhas filhas no ato democrático de votar, ainda que essa justiça falha e morosa impeça-me por força policial”.
Como era réu primário, o jornalista contou com o benefício de arquivar o processo, se aceitasse pagar multa de dois salários mínimos (R$ 1,020,00) ou prestar 96 horas de serviço comunitário.
“Preferi de imediato pagar a pena prestando serviço na Universidade Federal de Rondônia a dar o dinheiro”.
Contudo, Jovino Lobaz tem ainda prazo de dez dias para entrar com recurso contra a sentença homologatória, constituída em termo de audiência preliminar.