“Eu não tenho certeza de nada. Quero provocar dúvidas, fazer as outras pessoas pensarem.” A frase dita por José de Abreu durante a entrevista concedida ao iG nos bastidores da peça “Bonifácio Bilhões”, em cartaz em São Paulo, explica muito do ator. Além do talento artístico, foi também por conta de suas declarações polêmicas e de seu esquerdismo engajado que ele ficou marcado.
Pelo Twitter, José de Abreu já atacou políticos e músicos. Na Justiça, recebeu processos e processou. Inclusive a própria Globo. Defendeu publicamente o amigo José Dirceu , julgado como protagonista do mensalão, declarou ser bissexual e, diante de toda repercussão sobre sua sexualidade, foi ainda mais longe, dizendo-se 'polisexual'. “Quis provocar, me sentir como era ser minoria - e sofri muita agressão. Mas foi importante a discussão, foi impactante.”
O ator é assim: tem uma opinião forte sobre tudo, não para de falar e emenda uma divagação em outra. Durante a entrevista, não responde diretamente às perguntas, mas também não se esquiva. E, mexendo seu copo de whisky com os dedos, inevitavelmente termina os assuntos falando de política.
Logo de cara já comprara os protagonistas da peça com os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso . O cerne da trama é o embate entre o economista esquerdista Walter Antunes (José de Abreu) e o vendedor de goiabada Bonifácio Brilhante ( Tadeu Mello ). O primeiro promete dividir o prêmio da loteria com o homem humilde caso ganhe. Quando a sorte bate à sua porta, no entanto, ele não cumpre o prometido, apesar de defender na teoria a distribuição de renda.
E então, do contexto da peça, Zé já parte para o cenário político atual, sem, claro, ser indagado diretamente. “A cabeça do Fernando Henrique é a cabeça do Walter. Ele não tem duvida do seu esquerdismo. Mas Fernando Henrique diz que tem que atratar o pobre sem paternalismo, que tem que preparar o pobre para que ele saia sozinho da miséria. Mas tem que ser um filho da p*** como o Lula, que passou fome, para dizer: “Não adianta, eu tenho que dar a comida na boca do cara”. Ele tem consciência política, uma sabedoria natural, que na prática da vida resulta mais revolucionária do que a do socialista que estudou.”
Fonte:
IG
Publicado em 02 de Maio de 2013, às 13:25