“Estou arrependida do que fiz”, disse ré ao dar o depoimento
 
Levada a julgamento na manhã desta terça-feira, 30, em Vilhena, sob a acusação de tentar matar a golpes de faca Edson Pereira da Silva, 44, Patrícia de Souza Novais, de 22 anos, foi inocentada pelo corpo de jurados, hoje composto na sua totalidade por mulheres, que entenderam que a ré agiu em legítima defesa e a absolveram. 
 
O fato aconteceu no dia 1º de fevereiro deste ano (relembre aqui), no apartamento 11 do número 3325 da rua Antônio Quintino Gomes, bairro Jardim América, em Vilhena, onde segundo os autos, após discussão entre Patrícia e Edson, que haviam tido um breve caso enquanto a jovem esteve separada do marido, o bate-boca evoluiu para agressões físicas que culminaram com os golpes de faca que atingiram o pescoço e as costas da vítima. 
 
Hoje, vítima e ré foram ouvidos no julgamento e ambos apresentaram versões diferentes. Assim como também se contradisseram em alguns pontos. Em comum, a informação de que Patrícia teria ido até o apartamento de Edson para pegar alguns pertences. 
 
O homem contou que entrou para pegar esses objetos e ela o seguiu sem ser convidada. No interior do apartamento, enquanto ele pegava os tais pertences, ela teria tirado uma facada bolsa e passou em seu pescoço. A vítima disse que se enroscou com a agressora tomar a faca e acabou sofrendo outro golpe antes de dominá-la. 
 
Já a mulher contou que não queria entrar, e ele é que insistiu, porque eles precisavam conversar. A jovem disse que acabou cedendo e entrou. Lá, a conversa se tornou uma discussão e logo ele estava agredindo a ex com tapas e socos na barriga. Em meio às agressões, ela viu a faca sobre a mesa, pegou e desferiu um golpe pensando que ele cessaria as agressões, o que não aconteceu. Segundo a jovem, ele manteve o ataque e ela desferiu novo golpe, mas acabou imobilizada.
 
Perguntada se havia ido até o apartamento de Edson com o pensamento de matá-lo, Patrícia disse que não e finalizou dizendo: “Estou arrependida do que fiz, se eu tivesse apanhado quieta, não estaria passando por isso”. 
 
O promotor João Paulo Lopes, após contextualizar os fatos, citou o testemunho da vizinha de Edson, que era diarista e limpava o apartamento dele, que disse que a faca usada por Patrícia não pertencia ao homem, evidência de que a ré teria levado a arma. O promotor lembrou que uma bolsa que seria de Patrícia foi localizada no apartamento, sem nada dentro. Lopes enumerou as contradições nas versões da ré e da vítima, e concluiu, pedindo a desclassificação do crime de homicídio tentado para lesão corporal: “Essas contradições de parte a parte tornam temerária uma condenação por tentativa de homicídio”. 
 
O defensor público George Barreto Filho também defendeu a tese de desclassificação para lesão corporal, mas como tese secundária. Barreto Filho sustentou como tese primária a de legítima defesa.    
 
Para Barreto Filho, as lesões mostram que Patrícia não tinha intenção alguma de matar Edson. O defensor sustentou que, se a intenção fosse a morte, como supostamente o primeiro golpe foi dado no pescoço de Edson, esse ferimento já o teria matado. “Foi nitidamente uma defesa, fosse um ataque ele não estaria vivo”, pontuou. 
 
Após três horas, as sete juradas acataram a tese da defesa e absolveram a ré. A sentença lida pela presidente do Tribunal do Júri, Juíza Liliane Pegoraro Bilharva, determinou a soltura da jovem que estava presa deste o dia do fato.
 
Aos prantos, após a leitura da sentença, a jovem foi abraçada pelos parentes e amigos que assistiram ao julgamento.