Rapaz de 24 anos disse ter sido espancado por militares e aponta testemunhas
Envolvido numa ocorrência policial registrada no domingo na cidade de Colorado do Oeste, o motorista de caminhão Douglas Anastácio Lopes, de 24 anos, veio à redação do FOLHA DO SUL ON LINE para dar sua versão do episódio.
Segundo o BO confeccionado pelos policiais militares que atuaram no caso, Douglas teria feito manobras arriscadas em uma motocicleta com documentação atrasada e agredido dois deles, quebrando o óculos de um e acertando o outro com um soco na boca (LEMBRE AQUI).
O jovem diz que as informações colocadas no documento são falsas e que ele, sim, foi vítima de espancamento, o que teria sido comprovado em um exame de corpo de delito feito na mesma noite do incidente e que aponta lesões em sua cabeça, ombros e nas duas pernas.
Devido aos hematomas no corpo do caminhoneiro, que também apresentava falhas de memória e dores pelo corpo, o médico que o atendeu em Colorado recomendou que ele fosse submetido a uma tomografia de crânio, já que havia suspeita de lesões no cérebro.
Os exames em Vilhena, segundo os pais, que trouxeram Douglas de Colorado, revelaram uma espécie de derrame num dos olhos, resultado de uma forte pancada.
A VERSÃO DO DENUNCIANTE
Douglas contou ao site que, no dia anterior ao incidente (sábado), ele havia emprestado sua moto para um colega de profissão vir até Vilhena para comprar peças para o caminhão no qual trabalhava, pois o veículo do outro caminhoneiro estava com a documentação atrasada
Já ciente de que a motocicleta do amigo estava irregular, e que foi deixada com ele pelo que havia pegado a outra, o jovem saiu de casa apenas para ir a oficina ver o serviço que estava feito em seu caminhão.
Conforme relata, no momento em que estava no barracão, ele foi abordado pelos policiais, e a partir deste momento não se lembra de mais nada.
Mas, o dono da oficina e mais duas testemunhas contaram ao próprio Douglas e aos pais dele que os militares chegaram a enforca-lo e o atiraram no chão, momento em que o caminhoneiro bateu a cabeça.
O denunciante diz que, quando recobrou os sentidos, já estava na Delegacia, mas ainda sem se lembrar de nada. Ele não se recordava sequer que havia sido levado ao hospital para o primeiro exame.
Seus pais só foram busca-lo na DPC após três horas sem notícias dele. “Se eu tivesse feito o que os policias relataram, você acha que eles teriam me soltado?”, questiona, rebatendo também a informação de que teria bebido e usado drogas. “Naquele dia eu estava trabalhando”, argumenta.
Com fotografias e aguardando apenas o laudo que será emitido por um médico da Polícia Civil de Vilhena que o examinou, o motorista disse que irá à justiça para responsabilizar os policiais pela agressão.
“Além de me baterem sem justificativa e usarem toda a violência que as testemunhas contaram, ainda escreveram informações falsas num documento oficial. Quero justiça e não vou deixar impune essa covardia”, promete o jovem.
Fotos
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 27 de Julho de 2021, às 09:36