Pai de Nelinho recusou propostas de vingança
O livro do jornalista paulista João Peres sobre o caso que ficou conhecido como “Massacre de Corumbiara” se propôs a falar do passado, mas trouxe diversas revelações até então inéditas para o conhecimento comum.
A obra “Corumbiara, caso enterrado”, um livro com imagens do fotógrafo argentino Gerardo Lazzari, faz uma revelações importantes que ajudam a desvendar a chacina mais famosa de Rondônia, o massacre dos trabalhadores rurais em agosto de 1995. Foram 12 mortos, incluindo dois policiais, segundo dados oficiais da época.
Uma das revelações espetaculares do livro diz respeito à morte do então vereador Manoel Ribeiro, o Nelinho (PT), executado a tiros em dezembro do mesmo ano do massacre. Segundo o livro, Nelinho teria ido à fazenda Santa Elina, onde os sem-terra estavam acampados e onde ocorreu o massacre, avisar os assentados sobre uma possível retaliação da ocupação da área.
No livro, então, o jornalista segue a ideia de que a morte do vereador Nelinho estava intimamente ligada, entre outras coisas, à questão agrária no município.
Mas a revelação mais estrondosa da obra de João Peres é sobre a possível vingança que a família de Nelinho poderia executar. Segundo depoimentos dados ao livro pela família da vítima, o pai do vereador assassinado, o agricultor Itamar Ribeiro, que ainda mora no município, teria recebido várias propostas de vingança, todas elas rejeitadas.
“Não faltaram propostas para o pai vingar a morte do filho: feitas por dinheiro, feitas por prazer, feitas por honra. [Mas] seu Itamar desautorizou todas”, diz um trecho do livro.
O relato do autor do livro “Corumbiara, caso enterrado” confere com uma conversa pessoal do que o irmão do vereador assassinado, o também ex-vereador e ex-vice-prefeito de Corumbiara João Ribeiro (PT), o Joãozinho, teve com este repórter do FOLHA DO SUL ON LINE em maio deste ano. “Meu pai recebeu várias propostas de vingança na época, mas ele nunca quis seguir esse caminho”, revelou.