Colégio está há meses sem professor de matemática e física
Estiveram na redação do FOLHA DO SUL ON LINE, na manhã desta terça-feira, 02, a líder comunitária do distrito de Perobal, Sônia Gatti, e a sitiante Silvana Balbo, moradora Linha 125. As duas estão na cidade acompanhando três alunos que cursam o ensino médio na extensão da escola estadual Machado de Assis, mantida na pequena localidade, que fica a cerca de 40 km da área urbana de Vilhena.
De acordo com as duas mulheres, a escola, que atende cerca de 40 estudantes, não oferece aulas de matemática e física há vários meses. Do início do ano até agora, apenas durante três semanas as disciplinas foram ministradas.
Conforme Sônia, a professora que havia lecionado no primeiro bimestre não teve o contratado renovado. Já o professor contratado para assumir a vaga da educadora acabou apresentando atestado médico e até hoje não reapareceu.
Silvana, que além de mãe de alunos, também cursa o ensino médio, faz uma denúncia grave: os estudantes têm suas faltas abonadas pela ausência de professores e as notas foram dadas a eles após a aplicação de provas sem muito critério. “A gente teve que estudar o conteúdo às pressas”.
A agricultora, que voltou aos bancos escolares temendo pela segurança da filha Luana, de 18 anos, que teria que ir sozinha para o colégio, diz que a situação vai prejudicar quem tem interesse de fazer o ENEM. “Sem as aulas e o conteúdo, esses alunos não terão um bom desempenho no exame”.
Ainda hoje, as duas denunciantes pretendem se reunir com a representação da Seduc na cidade. Elas dizem ter recusado a proposta feita para solucionar o impasse. “Queriam colocar ônibus para trazer as crianças até o Machado de Assis, em Vilhena. Mas os coletivos iriam só até a BR, obrigando muitos que moravam a mais de 50 quilômetros da rodovia, a acordar de madrugada. Não daria certo”, resume Sônia.
Sônia e Silvana também pretendem procurar o Ministério Público para relatar o drama vivido pelas famílias que moram no Perobal e nas propriedades rurais próximas.