Até bem pouco tempo, uma das cenas mais comuns em Vilhena era a presença de crianças nas ruas, inclusive à noite. Boa parte dos menores que perambulavam pela cidade exercia alguma atividade remunerada, como coleta de material reciclagem (latinhas) ou a venda de salgados e sorvetes. O trabalho de engraxate e guardador de carros também ocupava o tempo da molecada.

Nos últimos meses, com a efetiva implantação do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) na cidade, observou-se uma sensível diminuição de crianças em circulação nas ruas. Atualmente, o prédio onde funciona o programa (e que antes abrigava um entreposto de armazenamento agrícola) atende mais de 300 meninos e meninas. A novidade funciona através de parceria entre a Prefeitura e o Governo Federal, que faz o repasse para bancar o funcionamento da iniciativa.

No local, os menores recebem aulas de reforço e ainda participam de várias oficinas, que inclui esportes (karatê e capoeira), artes (pintura e música) e noções de cidadania, além de atividades pedagógicas. As duas turmas (manhã e tarde) que frequentam a instituição também recebem refeições.

De acordo com a direção do Peti, das crianças retiradas das atividades penosas, cerca um terço tem origem na área rural. Antes de serem matriculadas no programa, garotos e garotas com idades entre 6 e 14 anos eram exploradas em traballhos penosos, como ordenha e cultivo de lavouras.

Duas crianças foram entrevistadas pelo ww.folhadosulonline.com.br e elogiaram a assistência do Peti. Ambos (um menino e uma menina) são oriundos de lares desestruturados e moram com os avós. Segundo os dois, graças às atividades do Peti, eles melhoraram na escola e não sentem saudade do tempo em que eram obrigados a ajudar a garantir a renda familiar com o suor de seus pequenos rostinhos.