Jornal denunciava perigos saídas de postos
Um mês atrás, em texto assinado pela repórter Suzane Schmitka, a versão impressa deste site, o jornal semana FOLHA DO SUL, alertava: as mortes registradas nos entroncamentos das saídas de postos de combustíveis com a BR 364 estavam se tornando uma situação preocupante.
Ontem (quinta-feira, 22), um rapaz de apenas 20 anos provou com a própria vida que o alerta dado pelo jornal deveria ter despertado o interesse das autoridades ligadas ao trânsito pelo problema.
O choque frontal entre uma moto entre uma moto que trafegava pela BR e um caminhão que tentava sair da rodovia matou o condutor do primeiro veículo, Jhons David Ramos, um construtor que chegou a ser socorrido pelos Bombeiros, mas morreu logo após dar entrada no pronto-socorro do Hospital Regional.
Confira abaixo, na íntegra, a reportagem veiculada na edição 1.084 da FOLHA
Acidentes nas saídas de postos de gasolina em Vilhena provocam debate sobre trânsito
Por ser uma cidade que se desenvolveu às margens de uma rodovia federal, Vilhena sempre teve uma relação intrínseca (e nem sempre pacífica) com o traçado da BR-364, que foi responsável pelo surgimento e desenvolvimento do povoado que dá boas vindas a quem adentra Rondônia. Muito já se discutiu sobre o fato de o movimento intenso de veículos pesados representar risco para os moradores da cidade, mas também ser justamente o fluxo da rodovia fator importante no comércio do município.
Recentemente, mais uma morte registrada por acidente em saída de posto de combustível reacendeu a questão: o que pode ser feito para reduzir os riscos para os motoristas da cidade quando manobram para sair dos postos e suas conveniências? Na confusão entre todos os tipos de veículos que vão no sentido BR-364, colisões leves e arranhões são diários, mas acidentes fatais acabam acontecendo, apesar de ser um local de saída de veículos e os motoristas teoricamente não poderem desenvolver tanta velocidade quanto na própria rodovia.
Praticamente todas as saídas que desembocam na BR-364 não foram pensadas a longo prazo e apresentam deficiências estruturais que, apesar da sinalização, tornam as opções confusas para os motoristas, principalmente os que não são da cidade. As saídas não coincidem com as ruas vicinais à BR-364 e grandes espaços de pista não têm preferencial definida nem sinalização horizontal ou indicadores de mudança de faixa de direção. Mudanças para resolver a questão e ajustar as saídas dos postos aos entroncamentos da BR ao longo do perímetro urbano custariam caro e não são cogitadas no período de crise, com cortes em obras estruturais.
DENTRO DA CIDADE
E quanto aos postos que ficam dentro da cidade, a situação muda. O problema, neste caso, são os freqüentadores, que consomem bebidas alcoólicas e fazem “rachas de som” nas proximidades dos pontos de conveniência, causando transtornos aos comerciantes e vizinhança residencial. Nos fins de semana, é comum que se reúnam veículos com som alto para as disputas de quem tem o som mais alto, consumo de bebidas, de narguile e festas que não raro acabam com a presença da polícia militar. O problema, então, é a conduta de motoristas alcoolizados que se deslocam pelas principais avenidas da cidade.
EM TODA PARTE
Falar sobre perigo no trânsito de Vilhena é ser redundante: há, decerto, locais onde a probabilidade de acontecerem acidentes é maior devido ao fluxo maior de veículos, velocidades mais altas e sinalização precária, mas o risco de colisões e mortes é praticamente igual nas ruas do município em horários de pico, principalmente para motos e veículos de passeio.