De acordo com amplo relatório encaminhado ao Ministério Público do Estado, dois assessores do governador Confúcio Moura, o chefe da Secretaria Regional de Vilhena, professor Ronaldo Alevato, e o também professor Natal Jacob, adjunto na mesma secretaria, estão sendo acusados de manobrar as eleições para a escolha do diretor da escola Zilda da Frota Uchôa. 

O caso de perseguição e interferência na escola, segundo trecho da denúncia, seria uma represália a servidores da instituição que não votaram e apoiaram candidatos de oposição ao governador Confúcio Moura (PMDB) nas eleições deste ano.   

O relatório foi enviado no último dia 15 deste mês, constando graves denúncias de coação a servidores, falsas promessas a alunos, como abolir o uso do uniforme escolar e transformar uma das áreas da instituição em espaço permanente para realização bailes. Estes espaços, aliás, já foram denunciados à polícia, porque neles estaria havendo consumo de drogas e bebida alcoólicas por menores.

Ainda constam das denúncias o interesse em favorecer servidores afastados das funções por licenças médicas para trabalharem em áreas administrativas, ficando assim, fora da sala de aula em caráter permanente. 

Há relatos de reuniões com alunos e servidores fora da escola, contrariando as normas das eleições, impostas pela Secretaria de Educação (Seduc), segundo denúncia apresentada à Coordenadoria Regional de Educação (CRE- Velhena). 

Segundo o material apresentado ao MP, consta ainda a que uma servidora afastada das funções pedagógicas e com licencia médica, passou a fazer campanha aberta para a chapa vencedora. Ela seria uma protegida do secretário Ronaldo Alevato, conforme afirma a denúncia.

Sob forte pressão dos assessores governamentais, as fraudes encaminhadas para CRE-Vilhena foram consideradas “inconsistentes”, demonstrando que havia uma clara manobra para favorecer a “chapa branca”. “A CRE não foi ‘in loco’ verificar as irregularidades, envolvendo a coação de pais de alunos para votarem na chapa denunciada”, diz trecho do relatório enviado à Justiça.   

Para os denunciantes, a CRE agiu tendenciosamente ao fechar os olhos para as graves denúncias de corrupção nas eleições da escola Zilda Da Frota Uchôa, beneficiando a chapa encabeçada pelo servidor Antônio Carlos Nogueira. 

 

Sem educação

 

Segundo a denúncia, para vencer o pleito, o candidato Antônio Nogueira usou e abusou do “jogo sujo” e convocou os alunos mais indisciplinados da escola para fazerem campanha a seu favor, conforme está escrito num trecho da acusação. “A Chapa 2 facilitou a entrada para os estudantes considerados mais indisciplinados e desinteressados pelos estudos – os que matam aulas todos os dias, os que bebem e fazem coisas erradas – a entrarem na escola e influenciar os outros alunos”, revela a peça.  

Ele usou também familiares nas eleições. Sua esposa teria convocado, via telefone, pais e alunos para uma reunião, pedindo votos para o marido, e também foi denunciada ao MP. 

  Há pedido de uma nova eleição diante das supostas irregularidades verificadas no pleito. Houve, ainda, segundo a denúncia, forte influência do secretário regional e seu adjunto na nas eleições em favor da chapa denunciada. 

O FOLHA DO SUL ON LINE está à disposição de todos os que tiveram seus nomes mencionados nas denúncias e lhes garantirá o mesmo espaço para se manifestar quanto às acusações.