“Com educação, será que eles vão chegar aos 25 anos roubando botija de gás pra trocar por pedra?”
 
O produtor audiovisual Elton Cândido, de 33 anos, é um dos novos nomes na política que buscam uma vaga na Câmara Municipal de Vilhena. “Eltinho da Cohab”, como é conhecido, é casado e pai de dois meninos e uma menina.
 
Filiado ao PSC, Eltinho da Cohab disse que sua candidatura é uma “uma revolta” contra o sistema político municipal. “O grupo que faz política em Vilhena é pequeno e restrito, se resume basicamente a 50 pessoas. E se a gente não entrar, não lutar, continuará sendo os mesmos que articulam e movimentam a política vilhenense”, afirmou.
 
Para Elton, as pessoas têm almejado a mudança. Ele disse à reportagem que sente que as pessoas anseiam por algo novo, por algo diferente, alguém que fuja dos padrões, alguém que fale a língua delas. “A realidade política hoje é a minha realidade, eu coloco meu moleque na escola pública, eu moro na Cohab e minha mãe mora no União. É bem diferente você fazer uma política pra comunidade, pro pessoal que mais precisa, e você está lá no conforto da sua casa, comendo bem, dormindo bem e quando chega neste período você fala assim: ‘agora eu vou ouvir os anseios da comunidade’. É até é possível isso, mas quando você vive isso no cotidiano é diferente, eu sei o que eles precisam porque na verdade eles sou eu”, pontuou.  
 
Para Eltinho, abdicar da oportunidade de concorrer a um cargo que lhe possibilite lutar por melhorias para o município seria se omitir. “Eu nasci em Vilhena, enterrei meu pai aqui, tive meus filhos aqui, a minha estrutura toda está aqui em Vilhena, se eu não for fazer política pra cidade em que eu nasci, pra cidade que eu amo, eu tô sendo omisso”, ponderou antes de concluir: “mesmo que eu não seja eleito, vamos supor que tire apenas 50 votos, eu seria representante de 50 pessoas, são 50 pessoas que estão falando comigo, e 50 pessoas têm voz”.
 
Sobre os planos para a seu mandato, caso eleito, Eltinho da Cohab disse, nas palavras dele, “vou chegar com o pé na porta”, e explicou: “A minha primeira proposta, se eu conseguir chegar lá, quero estipular um teto orçamentário, estabelecendo um limite para vencimentos dos vereadores, assessores, secretários e comissionados. Eu acredito que o justo é o sistema público valorizar o professor. De que forma eu, como vereador,  posso valorizar o professor? Eu quero que os vereadores e demais cargos públicos tenham como teto o salário dos professores”, disse.
 
Elton afirmou, ainda, duvidar que se o salário de vereadores, secretários municipais e assessores fossem equiparados aos salários dos professores, se iriam ter tanta gente na política. “Temos que valorizar quem está na base, educando as crianças, ganhando R$ 2.500,00, não conseguindo pagar as contas, não conseguindo viver com dignidade. Por que o assessor de um vereador pode ganhar até R$ 4.500,00? Quando é que um professor de classes primárias ganha um valor desses?” questionou.
 
Eltinho defende a necessidade do enxugamento da folha de salários, tanto da Câmara quanto da Prefeitura, para proporcionar investimento em áreas como capacitação de jovens e adultos.  “Vilhena tem um orçamento anual de R$ 280 milhões, muito disso vai para pagamento da folha. Se a gente enxugar a folha da Câmara, enxugar a folha da Prefeitura, que hoje tem mais de 600 cargos comissionados, muitos ganhando R$ 4.500,00; se enxugarmos essas folhas, vai sobrar dinheiro, por exemplo, para investir em um centro de capacitação de jovens e adultos com cursos de mecânica, computação básica, montagem e manutenção de micros, assistência técnica em celulares”, argumentou antes de concluir: “Dá um curso pra um moleque que tem 15-16 anos, que tá lá Cohab pronto para colocar uma lata na boca e fumar pedra pela primeira vez; cara, ele vai ter oportunidade de fazer a vida trabalhando, se ele quiser ser um bosta e ir pra cadeia, foi escolha dele, mas o município terá oferecido gratuitamente a oportunidade dele seguir outro caminho”.
 
Ainda sobre o tema, Eltinho argumentou que o que o mercado precisa é de pessoas qualificadas. E o poder pública precisa ser a mão estendida para oportunizar essa qualificação. “Hoje, um moleque de 20 anos que está lá na periferia onde eu moro, a possibilidade dele entrar pro tráfico é bem maior do que a possibilidade dele conseguir um emprego. Sabe por quê? Porque ele não tem qualificação. Ninguém olha para alguns tipos de problemas que vêm assolando a comunidade que eu vivo há anos. Será que se o poder público chegar lá na base, oferecer uma educação de qualidade a esses meninos, oferecer práticas esportivas, cursos técnicos, será que eles vão chegar aos 25 anos roubando botija de gás pra trocar por pedra?”, questiona.
 
Autêntico, Eltinho concluiu dizendo: “Eu não vou bater mais palmas pra playboy ficar rico com dinheiro público. Na cidade onde eu nasci? Não vai rolar! Eu quero sacudir as pessoas e falar: cara, a nossa cidade é rica. A gente não precisa ficar se humilhando pra seu ninguém. Vamos à luta”.