O principal candidato a novo “Elefante Branco” da cidade entrou firme na disputa. Trata-se do complexo entregue pelo Governo de Rondônia à  representa ação local do DETRAN há dez dias, chamado oficialmente como “Pista de Teste para Novos Condutores de Veículos” (FOTO PRINCIPAL), o empreendimento consumiu nada menos que R$ 3,1 milhões, além de área do patrimônio vilhenense com 16 mil metros quadrados. O irônico é que está pronto e entregue, porém, sem condições de uso por erros do projeto. Por isso, ontem (03/12), a CIRETRAN realiza sua última rodada de teste do ano da forma tradicional: numa das ruas da cidade (FOTOS SECUNDÁRIAS).

 

A saga do possível novo símbolo de desperdício de verba; erros de projeto e execução; desvio da meta que o idealizou; localização em local inadequado e custo exagerado, teve início poucos anos atrás. Naquela ocasião, Arli Schultz era Secretário Municipal de Trânsito e foi procurado por empresários do ramo com demanda óbvia: a situação precária em que os Centros de Formação de Condutores enfrentam para aplicação de aulas práticas (FOTO SECUNDÁRIA).

 

O empreendimento foi idealizado poucos anos atrás, e nasceu na Secretaria Municipal de Trânsito, na primeira gestão de Zé Rover (PP). Segundo Arli Schultz, titular da Pasta, os donos das empresas de formação procuraram o órgão municipal, apresentando a demanda. Em seguida foi elaborado projeto e obtida a área para a instalação do complexo, com dezesseis mil metros quadrados, doada pelo município. O passo seguinte, ainda com participação de Schultz, foi o acordo com o Governo do Estado para concretizar a proposta através do DETRAN, com aval do vice-governador e diretor-geral da autarquia, Airton Gurgacz (PDT), leito deputado estadual este ano.

Daí em diante o governo tocou o projeto. A área doada fica no prolongamento da avenida Melvin Jones, que corta de ponta a ponta o novo bairro de lá, no loteamento Moisés de Freitas. A imponente pista de testes chama a atenção pela imensidão. Dá pra concluir que, se não foram consumidos os 3,1 milhões de reais, barato não ficou. O que sobrou de terra à vista nos 16 mil m² não deve chegar a quinhentos metros sem calçamento. Um enorme sistema de iluminação impõe respeito, e só de ver de dia mesmo já passa a impressão que deve ser potente. No pátio há marcações e características que levam à conclusão do fim para o qual foram criadas.

Mas, há problemas primários sob este ponto de vista, pois a rampa é totalmente inútil a exames ou treinamento: “É alta demais", comentou uma profissional do ramo, funcionária de umas das “autoescolas” mais tradicionais da cidade. Confirma o que disse José Natal Pimenta Jacob, provável próximo diretor local da CIRETRAN. Outra falha monumental, que foi apontada por avaliadores da autarquia ainda na fase da construção, porém não corrigida, causa situação inusitada: o mau posicionamento dos únicos acessos de entrada e saída do completo impede carretas (FOTO SECUNDÁRIA) de acessá-lo, pois não há espaço para manobra – e ironicamente um choque de realidade ao público alvo do empreendimento é destaque. Uma enorme cratera ocupa meia pista no cruzamento da Melvin Jones com a transversal lateral do sistema (FOTO SECUNDÁRIA).

Também há problemas com o similar de sonorizador de solo para uso nos exames. “Os problemas terão que ser resolvidos com a destruição do que foi feito e entregue depois das adaptações", disse um inspetor da autarquia que a aplicava exames hoje a tarde, na Avenida Sabino Bezerra de Queiroz, entre o CRECA e a escola Cecília Meireles, no Marcos Freire. Trocando em miúdos, tá pronto mas não está!

A confusa (sem trocadilho) situação chega até o governador Confúcio Moura (PMDB). Esperado como principal estrela da entrega do complexo, ocorrida semana retrasada, teve que faltar. Ficou literalmente “preso” a compromisso inadiável na sede da Superintendência da Polícia Federal na capital, pois a data da inauguração da pista coincidiu com a deflagração da Operação Plateias, que colocou várias pessoas em tal condição. Se tivesse vindo, teria outro constrangimento: trapalhada burocrática de seu gabinete fez com que Natal passasse situação imprópria, sendo nomeado e apeado do comando local do DETRAN no curto espaço de quatro dias. O encontro do governador com Natalzinho seria um constrangedor.

Mais um tempero para praticamente chegar ao total cumprimento dos critérios que definem “Elefante Branco" naquela que, pela lógica, deveria ser sua estreia como bem público, não aconteceu – os exames estão sendo aplicados na rua. Finalizando, duas preocupações: não se sabe ao certo se as escolas poderão usar ou não, se isto for autorizado não há estrutura para tanto (não existem boxes para os centros de formação); e o prédio foi entregue com necessidade de reparações, não há linha telefônica ou internet e inexiste quadro funcional para tocá-lo à disposição. Portanto, só no ano que vem.