“Pra mim, que sou enfermeira e estou trabalhando desde o início, é muito desanimador ler esse tipo de depoimento”
 
Esta semana, uma empresária vilhenense que está no Estado do Pará, afirmou a reportagem da FOLHA DO SUL ON LINE que foi infectada pela  terceira vez pelo novo Coronavírus, mesmo já tendo tomando a segunda dose da vacina. Ela levantou, inclusive, a possibilidade da terceira infecção ter ocorrido pela vacina (LEMBRE AQUI).
 
Após lerem as declarações da empresária, Suely Aparecida da Silva, coordenadora do Setor de Imunização, e a enfermeira Valéria Prado, profissionais da saúde vilhenense que atuam diretamente com a vacinação, contestam as afirmações da empresaria.  “Pra mim, que sou enfermeira e estou trabalhando desde o início, é muito desanimador ler esse tipo de depoimento”, disse Valéria Prado.
 
A enfermeira explicou que as vacinas são produzidas com o vírus inativado ou atenuado, e em nenhum dos casos, as vacinas tem o poder de causar a doença. “A vacina estimula o organismo a criar anticorpos que irão atuar em caso de infecção”, explicou, antes de continuar: “Quantas vidas não são salvas pelas vacinas? Hoje a que está em evidencia é a da Covid-19, mas tem a do sarampo, tuberculose, que é a BCG e que se toma quando é criança”.  
 
Para Suely Aparecida, esse tipo de declaração pode levar as pessoas a deixar de se vacinar e irem a óbito em decorrência de não estarem protegidas. “O que que a vacina faz? Ela diminui o risco de morte, de intubação, diminuiu a possibilidade das pessoas irem parar em um leito de UTI. Essa é a finalidade da vacina, diminuir a gravidade da doença”, disse.
 
A coordenadora revelou que, em Vilhena, já são 35 mil pessoas imunizadas. E isso tem refletido diretamente no número de pacientes internados e intubados, principalmente entre aquelas pessoas das faixas etárias que já foram vacinadas. “E você pode perceber a eficácia da vacina pela diminuição de internações e pacientes intubados”, disse.
 
Exemplificando o que afirmou a coordenadora, no último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde, consta que o município tem 22 pacientes internados na Ala Covid do Hospital Regional de Vilhena. Apenas seis desses pacientes têm mais de 60 anos. E entre os pacientes intubados, aqueles que apresentam um quadro mais grave da doença, há apenas um com idade superior a 60 anos.
 
“Estamos aqui para fazer um apelo à população, porque a gente acredita no poder das vacinas. Nós, profissionais da saúde, estamos ali, batalhando arduamente vacinando. E não queremos que a nossa população vilhenense acredite nessas crendices, porque é isso que isso é: crendice”, disseram as profissionais, citando mais um exemplo da eficácia das vacinas: “Nós tínhamos um índice alto de infecção dos profissionais da atenção básica de saúde, e depois da vacinação desses profissionais, esse índice caiu drasticamente. Os nossos profissionais estão todos em campo trabalhando. Nós não temos profissionais da área da saúde com Covid”.
 
Suely Aparecida e Valéria Prado reforçaram que o município segue o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra A Covid-19 do Ministério da Saúde e deixaram um recado à população: “Quando chegar a sua vez, vá tomar a vacina”.
 
Esta semana Vilhena está imunizando pessoas com 47 anos completos. A vacinação acontece na Unidade Básica de Saúde Afonso Mansur, na Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes, no Jardim Eldorado.