“Ninguém pode sentir nada que já te encaminham para lugares onde você pode acabar contraindo a doença de verdade”
Uma moradora do bairro Jardim Eldorado, em Vilhena, afirma ter sido mal tratada por uma médica do SUS que afirmou que seus exames, que apresentavam alterações, estavam normais e seus sintomas eram psicológicos.
A paciente, que atua no município como operadora comercial, afirmou ter começado a sentir febre alta e fortes dores no corpo no último sábado, 09, momento em que se medicou e procurou o Posto de Saúde Henrique Mansur, onde foi atendida de forma ríspida pelo médico, que praticamente descartou Covid-19 e solicitou um hemograma completo e um exame específico para Dengue.
"Mesmo dizendo que praticamente descartava ser Covid, o médico liberou a medicação pra mim e disse que ia solicitar o exame, porém, até hoje não fui chamada pelo setor responsável", relatou a paciente.
A jovem, então, fez o hemograma solicitado em um laboratório particular para ter um diagnóstico mais rápido, uma vez que passou o domingo com muita febre e dor no corpo, porém, na segunda-feira, 11, retornou no posto de saúde e foi informada pelas atendentes que ela tinha se dirigir até o Centro de Especialidades Vilhenense (CEV), pois o médico não tinha lhe dado alta da doença.
"Em primeiro lugar já fiquei revoltada porque tudo agora é Covid. Ninguém pode sentir nada que já te encaminham para lugares onde você pode acabar contraindo a doença de verdade", afirmou a paciente.
No entanto, mesmo contra a vontade, a jovem se dirigiu com os exames até o local indicado e, quando foi atendida pela médica, novamente foi tratada com arrogância, tendo a profissional lhe perguntado o que ela estava fazendo ali, se não apresentava sintomas da doença.
Após explicar que só queria mostrar os exames, a paciente ouviu da profissional de saúde que estava tudo normal e que os sintomas que ela afirmava sentir eram “psicológicos”.
Revoltada com o descaso e tendo que se medicar mesmo sem diagnóstico exato, a operadora comercial procurou a reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE, que encaminhou seus exames a outra médica e esta relatou que a jovem de fato apresenta alterações e que exige atenção, uma vez que seus leucócitos estão baixos e, se diminuir mais, ela deve ser internada.
De posse das informações, a reportagem entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal e foi informada que a administração não comenta diagnósticos dados por médicos, pois eles têm autonomia para avaliar os pacientes.
A assessoria afirmou, ainda, que se a paciente ficou insatisfeita, pode procurar uma segunda opinião em outra unidade de saúde da rede básica e que em averiguação ao prontuário dela, foi constatada que no último atendimento houve solicitação do teste para Covid-19 e indicação de quarentena, informações contrárias aos relatos da paciente.
"Isso é um absurdo. A gente é tratado como um lixo. Eles me trataram assim como se fosse a pessoa mais ignorante do mundo, que não conhecesse os meus direitos. Eu achei isso muito humilhante. A gente paga tanto imposto para ser tratado assim?" questionou a paciente.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 14 de Janeiro de 2021, às 16:50