“O funcionário público precisa entender que é empregado da população, principalmente o político”
Pré-candidato a vereador pela primeira vez, o policial penal Valdir Tavares, que foi diretor do Centro de Ressocialização Cone Sul de Vilhena por três vezes, de 2012 a 2019, e da Casa de Detenção por quase três anos, afirma que, se aprovada sua candidatura, não dispensará a campanha presencial, mesmo quando muitos apostam nas redes sociais como foco principal para cativar o eleitorado.
Em entrevista concedida ao FOLHA DO SUL ON LINE, Valdir, que mora desde 2013 no Residencial Orleans, afirmou que irá realizar campanha através de redes sociais, porém, não abre mão de fazer visitas, pois apesar ter trabalho prestado e ser conhecido, ainda existem muitas famílias as quais quer se apresentar pessoalmente e, claro, tomando todas as medidas de distanciamento exigidas por lei.
Valdir afirmou que já realiza trabalhos sociais no bairro juntamente com os moradores há bastante tempo, seja na limpeza de praças, na busca de melhorias junto aos atuais vereadores, assim como na segurança, ajudando no combate a criminalidade, já chegando a retirar um ladrão de dentro de uma residência. “Pela mesma janela que ele entrou e eu entrei pra buscar ele”, afirmou Valdir.
O pré-candidato afirmou acreditar que o vereador nada mais é do que o elo entre a população e o Executivo, e que povo são os olhos do servidor. “Onde o vereador não pode estar por ser apenas um, a população está o tempo todo por ser múltipla, e isso a torna os olhos do vereador. Então, não tem forma mais eficaz de um vereador exercer sua função do que ouvir o que o povo tem a dizer sobre o que vê e vivencia diariamente”, relatou.
Quando questionado sobre seus projetos de campanha, Valdir afirmou que seu foco principal será buscar melhorias para a cidade, citando como exemplo a necessidade da construção de um posto de saúde no setor 80, devido os atendimentos serem realizados na sede de uma igreja local, que apesar de ser uma solução, está longe de ser o ideal pela precariedade da estrutura que não fora construída para essa finalidade.
Já voltado para a área da segurança, Valdir afirmou ter um projeto em mente que virá agregar reconhecimento, satisfação pessoal e lazer a classe dos policiais penais, “essa classe sofrida que e esquecida pelos governantes e que só é lembrada em época de eleições”
“Acredito que nem um deputado tem a força de um vereador, por estar dentro das comunidades, tem essa ligação direta com a população, podendo de fato estar dentro da casa do eleitor. E essa força é reconhecida por um prefeito e por um governador”, argumentou.
Quando questionado sobre o desempenho da formação da Câmara Municipal atual, Valdir limitou-se a dizer que com raras exceções, os vereadores eleitos hoje em Vilhena parecem estar em um pedestal, onde são inacessíveis à população.
Já com relação ao caos em que se encontra a saúde do município, Valdir afirmou acreditar que o Hospital Regional teria de fato que ser entregue ao Estado, pois não conta com especialistas em muitas áreas, e o Estado tem muito mais condições para prover a manutenção desses gastos, do que o município, porém, Vilhena também precisa de um hospital municipal, que descentralize o problema da região dos problemas locais, atuando como suporte.
“Vilhena tem a segunda maior arrecadação do Estado e tem pago horas extras aos médicos menores do que alguns municípios do Cone Sul, o que leva esses profissionais a preferir atuar fora, desfalcando o quadro necessário por plantão para atender a demanda do Hospital Regional, que é grande”, afirmou o pré-candidato.
Valdir foi questionado também sobre o número de portariados nas repartições públicas atualmente e relatou que não é contra, desde que o funcionário possua formação para estar no cargo e o município cobre produtividade deles. “O político coloca seus portariados nas repartições e não cobra deles produtividade, ao contrário, coloca simplesmente para não ser cobrado, porque durante a campanha prometeu o cargo e agora só precisa cumprir”, enfatizou.
Por fim, Valdir desabafou sobre aos atendimentos à população e aos serviços públicos prestados atualmente no município; “Hoje você entra em um órgão público e vê uma pilha de processos em cada mesa, como se fosse um enfeite, pois eles não baixam e os servidores, na maioria das vezes, desmotivados por baixos salários e chefes mal preparados, acabam por não produzirem o essencial. Sem contar o tal de volte daqui a não sei quantos dias, para um serviço que poderia ser resolvido na hora, com apenas um click no botão imprimir. O funcionário público precisa entender que é empregado da população, principalmente o politico”, concluiu.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 25 de Agosto de 2020, às 09:20