“Eu, por exemplo, nunca havia visto pessoas sendo impedidas de trabalhar. Nem nas guerras isso acontece”
 
O prefeito de Vilhena, Eduardo Japonês (PV) visitou, na tarde de ontem, a redação do FOLHA DO SUL ON LINE, e falou de sua rotina durante a pandemia de Coronavirus. O mandatário admitiu pressões no cargo, tendo que atender os que desejam trabalhar, mas também estar atento às limitações legais impostas por autoridades de Saúde, MP e Judiciário.
 
“É tudo muito novo pra todos nós. Eu, por exemplo, nunca havia visto pessoas sendo impedidas de trabalhar. Nem nas guerras isso acontece. Por isso, preciso manter a tranqüilidade, para proteger a vida das pessoas e a nossa economia”, contou Eduardo, que estava acompanhado de assessores.
 
O prefeito disse que a economia de Vilhena deve se recuperar mais rápido após a crise: “toda a nossa principal cadeia produtiva, baseada em atividades rurais, de produção de alimentos, está intacta. Quem mais sofreu foi o comércio, e vamos trabalhar apoiando o segmento, para que ele se recupere”.
 
AS FASES DA CRISE
Japonês fez questão de explicar, de forma didática, como está sendo administrada a pandemia em sua gestão. Ele decretou a reabertura de praticamente todo o comércio, impondo algumas medidas previstas no protocolo do Ministério da Saúde.
 
Para lidar com a situação, foram definidas três fases que indicam os níveis de cuidado com a disseminação da doença: o primeiro estado é o de Alerta; o segundo é o de Perigo Iminente; o terceiro e último estágio é Emergência em Saúde Pública. “Nós estamos na segunda fase, que é quando a cidade registra casos suspeitos”, explicou.
 
Conforme o líder político, só há ameaça de voltar a fechar empresas se a situação evoluir para o último estágio, e mesmo assim, além de um caso confirmado de Covid-19, por transmissão comunitária (de um vilhenense para outro), é preciso que 80% da capacidade de atendimento da rede municipal de saúde estejam esgotados.
 
Hoje, a cidade conta com 9 leitos de UTI para pacientes com a Covid-19, e outros 26 comuns, também para portadores da doença. Neste momento, existe um paciente suspeito internado na enfermaria e outro entubado na UTI, mas os resultados dos exames deles ainda não saíram.
 
DEPENDE DO POVO
O prefeito explicou que, em caso de evolução para Emergência em Saúde Pública, a decretação de nova quarentena, que paralisa todo o comércio não essencial, é automática. “Não depende de mim, está previsto no protocolo”.
 
Justamente para evitar essa situação, Eduardo reforça o pedido para que todos usem máscaras ao sair de casa e mantenham as medidas de higiene e afastamento, ficando a distância segura de outras pessoas e evitando aglomerações. “A nossa população precisa colaborar para mantermos nos números atuais. Se conseguirmos, vamos trabalhar tranqüilos até o ano que vem, sem nenhuma interrupção”.
 
OBRAS NÃO PARAM
O líder vilhenense disse que, apesar dos cuidados, sua administração segue trabalhando, e ele pretende continuar a execução de obras e serviços, o que inclui pavimentação e iluminação pública. “É vida que segue, não podemos parar”.