Júnior tenta sair de forma pacífica da legenda

O presidente da Câmara de Vereadores de Vilhena está enfrentando dificuldades para deixar o PMDB de forma pacífica, e principalmente preservando o mandato. Apesar de, a rigor, ter sido desprestigiado por dirigentes estaduais da legenda, Junior Donadon tem dado mostras de que quer partir com o mínimo de trauma possível, mas a coisa anda emperrada. Isto porque, de acordo com a legislação eleitoral, o mandato não pertence ao político que está no cargo, mas sim à legenda pela qual foi eleito. Por isso, apenas em situações excepcionais o detentor de cargo eletivo pode sair do partido preservando o mandato, sendo a mais usual a expulsão da sigla.
Os problemas entre o PMDB e Junior começaram no ano passado, após as eleições de outubro. Com a vitória da então candidata da deputada estadual Rosangela Donadon e a derrota de Junior na disputa à Câmara Federal, o vereador acabou perdendo terreno dentro da legenda, mesmo tendo assumido no início deste ano a presidência da Câmara de Vereadores. Os dois parlamentares estão em lados opostos, fruto de discórdia nascida num grupo que pratica a política com ênfase na coesão familiar. 
Presidente do diretório municipal do partido até então, Junior enfrentou resistência do grupo oponente, até que acabou perdendo terreno depois de tentar manter-se a frente da representação local da legenda, numa polêmica convenção que acabou sendo anulada pela instância estadual do PMDB. Para piorar, a direção provisória do partido acabou entregue justamente à deputada Rosangela.
Junior Donadon não esconde de ninguém que não vai mais permanecer no partido. “Do jeito que a coisa ficou, é provável que eu nem tenha espaço para tentar me reeleger vereador”, chegou a declarar o presidente da Câmara. No entanto, ele articulou-se de maneira a se desligar da legenda com o mínimo atrito, e é claro, preservando o mandato. Segundo informações de aassessores do parlamentar municipal, o senador Valdir Raupp, supostamente maior liderança pemedebista em Rondônia, já deu o sinal verde para Junior sair do partido como pretende. 
Mas, agora estão fazendo um jogo de empurra que chegou ao limite da paciência de Donadon. Ao usar a tribuna do Parlamento na sessão ordinária da Câmara esta semana, abrindo o segundo semestre legislativo, o presidente declarou se sentir “prisioneiro do partido”, cujo adiamento do processo que o expulsaria de forma pacífica vem lhe tirando o sossego. Por isso mesmo, e antes que o suplente Ronaldo Alevato comece a pensar coisas, Junior rumou para a capital a fim de solucionar a questão.