Titular do MPF já denunciou mais de 10 indiciados
O procurador da República em Vilhena, Daniel Azevedo Lôbo, concedeu ao FOLHA DO SUL ON LINE, uma entrevista exclusiva, na qual alertou: a Operação Stigma, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um esquema de corrupção na prefeitura, está em pleno curso.
O titular do MPF na cidade explicou que, após denunciar mais de 10 pessoas indiciadas em inquéritos da PF, prepara novas ações na justiça contra outros envolvidos no esquema municipal. Sem antecipar quantidades, também admitiu que novas prisões podem ser pedidas à Vara Federal.
O ESTOPIM
Na cidade desde junho do ano passado, Lôbo começou a coletar indícios de corrupção no Executivo Municipal desde que assumiu o posto. Porém, as “informações de inteligência” do próprio MPF e da PF acabaram chegando aos dois casos que deflagraram a onda de inquéritos e prisões.
Conforme Daniel, movimentações suspeitas em contas de convênios federais e indícios de propinas na construção de um abatedouro de frangos deram o pontapé inicial do escândalo, que se desdobrou em vários outros casos de práticas criminosas.
No caso do frigorífico para abate de aves, erguido com verbas da União, as investigações comprovaram que o serviço foi pago pelo município sem estar concluído.
DELATORES
Conforme o procurador, apenas duas pessoas aceitaram assinar delação premiada, pela qual se comprometeram a entregar detalhes do esquema. O primeiro a aderir ao benefício em troca da redução de pena foi o servidor da Secretaria Municipal de Saúde, Gilmar Gonçalves, que denunciou o pagamento de peças e serviços inexistentes.
O segundo a virar colaborador foi o empresário Jair José de Souza, da Tend Tudo, que teria “entregado tudo”, incluindo documentos e extratos comprovando a corrupção.
PENAS MAIS LEVES
Azevedo reconhece que tanto Gilmar quanto Jair fizeram colaborações “expressivas” para desvendar os crimes cometidos com o dinheiro público. Ambos, portanto, deverão ter suas penas reduzidas em caso de condenação. O primeiro, no entanto, por não ter envolvimento direto na corrupção, deverá ser mais beneficiado. O empresário, que participou do crime, ganhará menos, mas também deverá usufruir da condenação menor por ter ajudado na investigação.
DESABAFO
Baiano de fala mansa, porém de “caneta pesada”, Lôbo criticou o que seria uma tradição dos brasileiros: proteger excessivamente criminosos. E ironizou a convicção de muitos, externada por um advogado local, de que corrupto que entrega o outro para se beneficiar estaria agindo de forma antiética. “Todas as nações civilizadas do mundo adotam a delação premiada. Não se pode esperar ética de bandidos”.