Por volta das 19h15 de ontem (quarta-feira, 27), os professores da Faculdade da Amazônia (FAMA) iniciaram uma paralisação para pressionar a direção da instituição a efetuar os pagamentos dos últimos três meses de salários, que estão atrasados.
Em apoio aos docentes, os acadêmicos saíram das salas e estacionaram os veículos no pátio central, em frente à direção da faculdade, onde a reunião acontecia. Com as luzes dos veículos ligadas e buzinando, eles exigiam que a direção da entidade prestasse esclarecimentos sobre a real situação da escola.
As explicações cobradas pelos alunos vão além do atraso nos salários dos professores. Os estudantes acusam a instituição de fraude, que teria sido cometida durante a visita de uma equipe do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Para eles as melhorias feitas na época da avaliação não passaram de uma maquiagem para enganar os representantes do MEC.
Segundo acadêmicos, quando da visita de órgão federal, a instituição contratou uma consultora que se apresentou como sendo ex-funcionaria do próprio MEC. Essa pessoa deu orientações sobre o que e como deveria ser adequado para que se obtivesse a aprovação dos avaliadores.
Uma carta enviada ao MEC pelos acadêmicos, no dia 18 de agosto, tem o seguinte relato: “A partir da consultoria, a faculdade passou a ter recepção ‘organizada, copos no bebedouro, sala áudio-visual que até então não existia, com equipamentos de multimídia, entre eles sete aparelhos de data show, os quais recebemos a informação de que seriam “emprestados”. E a certeza veio quando fomos reservar o aparelho para uma aula na próxima semana (posterior à visita do MEC) e fomos informados que os mesmos aparelhos não estariam mais disponíveis”.
Os alunos envolvidos no episódio da carta denúncia afirmam que a intenção não é a de prejudicar a faculdade e sim reivindicar melhorias. Eles disseram ainda que foram ameaçados pela direção da instituição de que poderiam sofrer punições administrativas.
Sobre os salários atrasados, alguns professores já estão há mais de três meses sem receber salários, e outros saíram da FAMA pelo mesmo problema. A comissão formada por professores e alunos deu prazo até o dia três de novembro para que o quadro seja revertido, se não, haverá nova paralisação.
O www.folhadosulonline.com.br tentou contato com a direção da Fama, mas a reportagem não foi atendida. O site mantém aberto o espaço para a manifestação dos responsáveis pela direção da instituição de ensino.
ABAIXO, CÓPIA DA CARTA ENVIADA PELOS ACADÊMICOS VILHENENSES AO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO:
Vilhena, 18 de Agosto de 2010.
Aos senhores avaliadores, viemos através deste relato expor nossa indignação com as atitudes tomadas pela administração de nossa faculdade, em decorrência da vistoria do MEC:
A faculdade contratou uma consultora, com o intuito de organizar a faculdade para a visita, a qual se apresentou com ex funcionária do MEC. A mesma passou juntamente com a direção e coordenação dos cursos nas salas orientando como possivelmente o MEC iria proceder e como os acadêmicos deveriam se portar.
As mudanças ocorridas na faculdade na última semana foram chocantes, como:
A faculdade passou a ter recepção “organizada”, copos no bebedouro, sala áudio-visual que até então não existia, com aparelhos de multimídia, entre eles sete aparelhos de data show, os quais recebemos a informação de que seriam “emprestados” e a certeza veio quando fomos reservar o aparelho para uma aula na próxima semana (posterior a visita do MEC) e fomos informados que os mesmos aparelhos não estariam mais disponíveis.
A biblioteca era composta apenas de literatura básica, o que não era o suficiente para o uso dos alunos, e não existiam computadores a disposição dos mesmos. Com a chegada do MEC fomos informados de que haviam sido comprados livros novos e computadores que ficariam a disposição na biblioteca. Porém, da mesma forma ocorrida com a suposta compra dos data shows, foram adquiridos esses computadores e os mesmos também seriam devolvidos.
Na biblioteca também não havia um profissional da área de biblioteconomia, sendo também este profissional contratado na semana da visita dos avaliadores. Este mesmo profissional catalogou os livros e os organizou.
Ressaltamos que este relato não tem como objetivo prejudicar a Faculdade da Amazônia e sim reivindicar melhorias para a mesma.
Atenciosamente,
Acadêmicos da Faculdade da Amazônia.