Policial que não havia sido encontrado durante operação se apresenta em Vilhena
 
Um cabo da Polícia Militar, alvo de um mandado de busca e apreensão na segunda-feira, 22, acusado de estar trabalhando como “jagunço”,  juntamente com mais três colegas de farda para o dono da fazenda Nossa senhora Aparecida, em Chupinguaia, que já fez parte da lendária Santa Elina, onde ocorreu um dos massacres mais sangrentos da historia do Brasil, se apresentou na Delegacia da Polícia Civil de Vilhena na madrugada desta terça-feira, 23.
 
O militar, que não estava em casa no momento do cumprimento do mandado de busca e apreensão, através do qual foram apreendidos só na residência dele, mais de 60 munições de diversos calibres, deflagradas e intactas, e 10 aparelhos celulares, afirmou que estava pescando no rio Pimenta na hora que os militares do 3º Batalhão chegaram. Mas, assim que chegou em casa e teve conhecimento dos fatos, sabendo inclusive que uma arma de fogo do seu trabalho como PM havia sido apreendida, resolveu se apresentar espontaneamente.
 
As buscas e apreensões realizadas na Vila Militar e em mais três endereços no município, onde três policiais militares foram detidos, se deu através de uma investigação que partiu de denúncias dos próprios posseiros do Assentamento Manoel Ribeiro, postadas no site eletrônico dos próprios invasores (VEJA IMAGENS ABAIXO).
 
Como a fazenda tinha sido invadida por cerca de 150 integrantes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), que se recusavam a deixar a propriedade sob graves ameaças, foi instaurado um processo de reintegração de posse que tramitava normalmente, porém, após os próprios posseiros postarem no site da liga, informações de que no local havia pistoleiros/jagunços tentando resolver a situação por conta própria, a justiça solicitou ao comando do 3º Batalhão da Polícia Militar que investigasse o caso.
 
Para evitar um confronto agrário e a prática de outros crimes, o Ministério Público pediu os mandados de busca e apreensão, concedidos pela justiça, sendo os militares atuantes e da reserva acusados de estarem praticando transgressão militar, improbidade administrativa, ameaça, porte ilegal de arma de fogo, constrangimento ilegal e associação criminosa, juntamente com outros civis envolvidos, sendo apreendidas diversas armas de fogo e veículos particulares do policial citado como o responsável pelo recrutamento dos “milicianos”, a mando do proprietário da fazenda.
 
Ainda segundo informações obtidas pela reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE, os “jagunços” usavam a sede da fazenda e o curral para realizarem a vigilância armada da propriedade.