Acusado mudou versão; MP tem indícios, mas não provas contra suspeito
Num julgamento que durou cerca de oito horas, o autor da morte de dois pedreiros em Vilhena, no dia 26 de novembro do ano passado, foi condenado a 18 anos de prisão. O júri popular, realizado nesta quinta-feira, 12, decidiu que o jovem Wanderson Rodrigues da Silva, 20 anos, que assumiu ter comandado as execuções, em companhia de um amigo, cometeu os dois homicídios duplamente qualificados. Ou seja, as mortes foram por motivo torpe e em circunstância que impossibilitou as vítimas de se defenderem.
Já o acusado de encomendar os assassinatos, Leandro Pereira Cavichioli, também levado a julgamento, foi considerado inocente. O próprio promotor que atuou no caso, João Paulo Lopes, admitiu haver indícios contra o empresário, mas argumentou que eles não eram contundentes o bastante para pedir sua condenação.
Em juízo, quando foi ouvido sobre o episódio, Wanderson chegou a apontar Leandro como o mandante. O promotor, no entanto, mesmo quebrando o sigilo telefônico do acusado, não encontrou confirmação das informações dadas pelo assassino que, hoje, resolveu mudar sua versão.
Diante dos jurados, o jovem confessou ter matado os pedreiros, baleados pelas costas. Já no chão, ambos foram mortos com tiros a queima-roupa na região da cabeça. O autor das execuções, no entanto, mudou sua narrativa, alegando que as vítimas ameaçam sua vida por uma dívida de drogas.
FOLHA DO SUL COMO ARGUMENTO
Defendido pelo badalado advogado criminalista José Viana, Leandro escapou da condenação como mandante com base nas teses que incriminavam o dono da casa onde aconteceram os homicídios. Usando reportagem da FOLHA DO SUL, que cobriu o caso através de uma série de reportagens, Viana afirmou que o próprio Dagoberto Moreira, que segundo a polícia era o verdadeiro alvo dos assassinos, estaria por trás do crime. O corpo dele, com perfurações de bala, foi encontrado em Vilhena no mês de janeiro deste ano.
FORAGIDOS
Dois outros participantes do duplo assassinato seriam julgados hoje, mesmo estando foragidos desde a data do crime. Wagner Ângelo, que dirigia o carro usado na ação violenta, e José Claudio da Silva, que também atirou contra as vítimas, não puderam ser levados a júri porque o advogado dos dois usou uma estratégia: renunciou à função três dias antes do julgamento e, com isso, não houve tempo hábil para providenciar novo defensor.
SEM RECURSO
O Ministério Público, a quem coube as acusações, não pretende recorrer das decisões. Já o defensor público George Barreto Filho, que tentou inocentar Wander, também disse que não irá tentar reduzir a pena, uma vez que o acusado confessou o crime.