Mesmo nas crises, são raras as pessoas que  viram o senador Valdir Raupp  elevar a voz ou usar um palavreado fora do seu tom normal.  Ao protestar contra a Operação Plateias (e principalmente sobre o tom "espetaculoso" dela, como afirmou), ele estava visivelmente irritado. E falou duro. Nas entrevistas que concedeu tanto à TV Candelária/Record quanto à Rádio Parecis FM, contestou não o trabalho do Ministério Público e da Polícia Federal, mas sim o que considerou  "exageros" .  Disse por exemplo que não havia necessidade do governador Confúcio Moura ser levado coercitivamente à PF, já que ele poderia ser chamado a qualquer momento e, obviamente, iria atender.  Considerou exagerado o número de pessoas levadas à PF  (193 no total) e foi taxativo: na grande maioria dos casos, não  há qualquer prova contra os que a Operação Plateias considera suspeitos e que, lá na frente, todos serão isentados de culpa. "Mas o mal já está feito", lamentou Raupp, ao dizer que houve uma desnecessária exposição de autoridades, empresários e pessoas que, ao menos na maior parte dos casos, reafirmou, serão totalmente inocentadas.

Raupp foi mais longe. Solidário com seus companheiros, disse que,  mesmo sendo favorável ao combate rigoroso à corrupção, não concorda com a forma com que as coisas foram feitas. Disse ainda que “põe a mão no fogo” por pelo menos três autoridades: o governador Confúcio Moura; o secretário da Fazenda, Gilvan Ramos e o secretário de Saúde, Williames Pimentel.  Raupp não gritou, não esperneou, não elevou a voz além do que é seu normal. Mas do alto da sua autoridade como senador da República e presidente nacional do maior partido político do país (o PMDB), protestou contra o que a Operação Plateias. E o  fez com afirmações duras e contundentes. Raupp estrilou!