A direção do PMDB deflagrou uma articulação para tentar inserir nos seus quadros o ex-deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR).

Fruet tornou-se um candidato à procura de uma legenda. Bem posto nas pesquisas, quer disputar a prefeitura de Curitiba em 2012.

Ignorado pelo PSDB do Paraná, hoje submetido ao controle do governador tucano Beto Richa, Fruet é assediado por quatro legendas. O PMDB entrou na fila.

O senador Valdir Raupp (RO), presidente do PMDB federal desde que Michel Temer licenciou-se do posto, telefonou para Fruet.

A ligação ocorreu na quarta (22). Raupp disse a Fruet que o nome dele havia sido mencionado em reunião ocorrida em Brasília, na véspera.

Referia-se a um jantar servido na residência oficial do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Lá estavam, além do anfitrião, o vice-presidente Michel Temer e senadores do PMDB –entre eles Roberto Requião, um antigo desafeto de Fruet.

Degustaram um prato típico do Paraná, o “porco no rolete”, preparado por assadores trazidos por Requião da cidade de Toledo.

Segundo Raupp, os pemedebês presentes ao jantar apoiaram a ideia de recepcionar Fruet no partido, inclusive Requião. Restaria aparar uma única aresta.

Requião já lançou um candidato à prefeitura de Curitiba: o ex-prefeito Rafael Greca, que teria de ser convencido a desistir da postulação.

Raupp aconselhou Fruet a procurar Greca. Algo que, depois, em privado, o quase-ex-tucano disse que não tem a intenção de fazer.

A simples hipótese de Requião admitir a convivência com Fruet representa uma mudança que parecia impensável.

Fruet era do PMDB antes de filiar-se ao PSDB, em 2004. Trocou de legenda graças a uma desavença com Requião. Desde então, os dois nem se falam.

Nas pegadas da ligação de Raupp, Fruet recebeu um segundo telefonema, dessa vez do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE).

Falando de Buenos Aires, onde se encontra, Guerra pediu a Fruet que não tome nenhuma decisão até a sua volta, no início da próxima semana.

Fruet comprometeu-se a esperar Guerra. Mas são mínimas as chances de ele permanecer no PSDB. Considera-se humilhado pelo partido.

Antes do PMDB, já haviam formulado convites a Fruet os presidentes do PDT, Carlos Lupi; do DEM, Agripino Maia; do PPS, Roberto Freire; e do PSD, Gilberto Kassab.

Tomado pelo que diz aos amigos, Fruet parece, hoje, mais próximo do PDT, legenda comandada no Paraná pelo ex-senador Osmar Dias.

Confirmando-se essa tendência, abre-se a perspectiva de uma aliança do PDT com o PT dos ministros Paulo Bernardo (Comunicações) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil).

Nos subterrâneos, o petismo prepara a candidatura de Gleisi ao governo do Paraná, em 2014. A ministra, a propósito, esteve no jantar da casa de Sarney.

Requião vive às turras com Paulo Bernardo, marido de Gleisi. Mas mantém boa relação com a sucessora de Antonio Palocci.

Na briga de 2014, Gleisi medirá forças com o tucano Richa, que disputará a reeleição.

Nesse cenário, a conquista da prefeitura de Curitiba tornou-se vital para o PT. Hoje, comanda a cidade Luciano Ducci (PSB).

Ex-vice de Richa Ducci herdou a cadeira de prefeito no ano passado, quando o tucano foi à campanha para governador.

Agora, Richa deseja reeleger Ducci. Por isso conspira contra Fruet, derrotado na eleição para o Senado.

Richa esquivou-se de acomodar Fruet no governo do Estado. Asfixiou-o no partido. Operou até para impedir que Fruet assumisse a presidência do PSDB de Curitiba.

Por ironia, o torniquete de Richa empurra Fruet para uma legenda do condomínio pró-Dilma Rousseff e, dali, para uma potencial aliança com o PT.