O FOLHA DO SUL ON LINE teve acesso ao texto pulicado nas redes sociais pela funcionária de uma empresa de transportes de Vilhena que, esta semana, salvou a vida de um bicho-preguiça que, não fosse a intervenção humana, dificilmente sobreviveria.
O site publicou o relato do resgate, após o qual o animal, aparentemente atacado por cachorros, foi acolhido na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e recebeu atendimento veterinário (LEMBRE AQUI, leia abaixo a postagem da “salvadora” e assista novamente o vídeo que antecedeu o ato de bondade).
”Hoje é o último dia das minhas férias, e acordei com o coração decidido a salvar uma preguiça. Não aquela preguicinha que se espojar nos galhos por escolha, não. Essa estava ali, amontoada, sofrida, judiada, vítima da ferocidade alheia.
Fomos à chácara buscar um documento, e foi no meio da horta que a encontramos: o corpo pequeno estraçalhado, marcado pelo ataque de cachorros. Não sabemos há quantos dias jazia ali, abandonada à própria sorte. Os pelos já se soltavam, e o fôlego lhe escapava devagar, como se a vida já estivesse se despedindo. Recolhemos aquela fragilidade com cuidado, trouxemos para a cidade e saímos a procurar ajuda, a bater em portas.
Uma cidade de nosso porte, e não há um abrigo, não há um centro de recuperação para os filhos silvestres desta terra. Mas a bondade não faltou: o nobre ex-vereador Damasceno, o nosso Damassa, acolheu a pequena no prédio da SEMMA, e o biólogo Emerick passou a cuidar dela com zelo.
A preguicinha já reagiu, e voltou a mostrar um pouco de vida. E logo outras almas generosas se aproximaram — mensagens, telefonemas, mãos dispostas a ajudar, todas convergindo para o mesmo cuidado. Acreditamos que ela vai se curar, essa criatura tão bela, que só queria paz entre os galhos.
Mas essa história revela uma ferida maior, que precisa de remédio. Estamos em ano de promessas, mas independente de votos e interesses, os poderes devem erguer um espaço: um lugar onde os animais feridos, atacados, doentes, possam encontrar guarida e retomar a vida. Isso é dever de todos, em cada canto desta terra, seja aqui no Norte ou em qualquer parte do Brasil.
Vemos as catástrofes da natureza e nos dizemos vítimas. Mas a verdade pesa no peito: o ser humano não é vítima. O ser humano é quem semeia a destruição. Nós ferimos a terra, secamos as águas, desmatamos os abrigos, e depois nos surpreendemos com a fúria do mundo.
Se hoje já sentimos o peso do desequilíbrio, imaginem os nossos filhos, os netos, os tataranetos que herdarão o que deixarmos. Não podemos apenas destruir. Precisamos cuidar. Cuidar dos animais, cuidar do ecossistema, cuidar desta terra que nos empresta a vida.
Cada vida que salvamos, como esta preguicinha que luta para respirar, é um lembrete: a natureza não nos pertence. Nós é que somos parte dela. E se não aprendermos a respeitá-la, não haverá abrigo para ninguém”.
ASSISTA VÍDEO ABAIXO.