O Brasil não é um país onde as massas se unem com facilidade. Talvez isso tenha ocorrido somente duas vezes na história recente da nação. Nas Diretas Já, na década de 80, e os Caras Pintadas, na década de 90.
Agora, de novo. Mas, desta vez, ninguém sabe exatamente a razão. Começou como um protesto contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo e se alastrou país afora.
Os sociólogos tentam explicar os protestos. A teoria social mais aceita é a do “curto circuito”. É, diz a teoria, quando uma sociedade vai se transformando numa panela de pressão, indignando-se contra os males sociais, até dá um “mau contato”. E isso eclode em protesto.
Parte da mídia dizia que se tratava de vândalos. Mas depois mudou de análise, pois ninguém consegue reunir 200 mil vândalos para protestar na rua.
O nosso estado de Rondônia precisa de uma onde de protestos.
Rondônia é o único estado do país que teve dois presidentes de Assembleia Legislativa presos pela polícia. Os ex-deputados Carlão de Oliveira, do PSDB e Valter Araújo, do PTB, saíram do gabinete para a gaiola.
Somos também os campeões em desfalques com cifras milionárias – a corrupção em Rondônia não é café pequeno, é sempre milhões.
Temos também a única capital onde um prefeito sai da prefeitura para ir direta para a prisão.
Somos um estado em que um reitor da única universidade pública e federal não pode sair do país sem avisar a polícia – e, se avisar, é preso. O ex-reitor Januário Amaral foi praticamente expulso da Universidade Federal de Rondônia, a Unir.
Somos também um estado recordista em greve. São treze paralisações em três anos.
Temos razão o suficiente para protestas. Não faltam motivos em Rondônia. Só falta mesmo é protesto.