Morreu na tarde de sexta-feira (9), aos 68 anos, em sua casa, na cidade de São Paulo, enquanto dormia, o músico Antônio Rosas Seixas, o Manito, que foi saxofonista da banda Os Incríveis e que participou também da fundação do grupo de música instrumental Saxomania junto com João Cuca.

Manito sempre foi lembrado por solos inesquecíveis durante a Jovem Guarda, época em que Os Incríveis se firmaram como uma das mais importantes bandas do país. Inspiraram e ainda inspiram muitos jovens com a sua música. Manito tratava, desde 2006, de um câncer na laringe, o que o afastou dos shows com o Saxomania devido ao duro tratamento de quimioterapia.

Lucinha, companheira há 13 anos do músico, explicou que o tumor de Manito voltou em 2010.

- Em maio, ele foi operado. Mas ele já tinha feito radioterapia e a pele estava afetada, com dificuldade para cicatrizar, e ele tinha problemas hepáticos. Vivemos com empenho para ele se recuperar, tivemos momentos animadores. No fundo, eu sei que foi uma grande libertação. Ele sempre foi um grande guerreiro. Isso foi uma libertação e está sendo recebido com muita alegria. Já está dando o tom. Com certeza, está em uma luz muito aconchegante e recebendo os últimos momentos das pessoas que o quiseram muito bem.

Ele deixa cinco filhos. Três do primeiro casamento, dois do segundo.

Lívio Benvenuti Júnior, o Nenê, contrabaixista da banda Os Incríveis, lamentou a morte do amigo.

- Ele foi para o outro lado porque estava sofrendo muito. Eu acompanhei toda a trajetória, foi muito difícil para ele. Graças a Deus, ele se foi. É muito chato isso, um grande amigo, perdi um grande cara, é muito difícil. Mas venho chorando faz tempo de vê-lo definhando. Mas, graças a Deus, ele vai lá para cima.

Os detalhes do velório e do enterro, que acontecerá neste sábado (10), estão sendo organizados agora pela família. Muito emocionada, Lucinha falou sobre a carreira do companheiro.

- Ele se libertou da matéria, que já estava muito sofrida. E foi apresentar seu show em outras esferas. Deixou muitas coisas boas, engrandeceu a música e trouxe um modo novo de tocar sax, inspirou muita gente. É uma pessoa sempre grandiosa, de muita ética, honestidade. Passou muita alegria para as pessoas. Morreu aos 68 anos, 64 anos de música. Começou a tocar aos 4 anos e, aos 5, já ajudava com as despesas de casa.

HOMENAGEM EM VILHENA - Manito e outros três companheiros estiveram em Vilhena no mês de abril, quando o músico fez seu último show com Os Incríveis. O espetáculo ameaçou ser cancelado em virtude da situação do artista, mas ele fez questão de vir. De acordo com o promotor de eventos Walter Pereira, da Rondomarketing, que organizou o evento, ele teria dito: “Subo no Palco, nem que esse seja o último show da minha vida”.

Walter foi informado do falecimento hoje de manhã e disse ter chorado ao saber do ocorrido. O promoter conseguiu emocionar Manito durante a apresentação do grupo no Clube dos Estados, a lhe entregar uma placa em homenagem à sua carreira.