Leandro Lima da Silva já cumpre pena em Colorado
Submetido a julgamento na manhã desta quinta-feira, 17, o jovem Leandro Lima da Silva, de 26 anos, foi condenado por homicídio duplamente qualificado e sentenciado a 15 anos e seis meses de prisão, pelo assassinato, em maio de 2011, do braçal Valdir Farias de Moraes.
O crime foi cometido por Leandro e pelo irmão, Lailton Lima da Silva, já julgado e condenado a 14 anos de prisão. De acordo com os autos, os irmãos e a vítima prestavam serviços numa chácara nos arredores de Vilhena. Testemunhas afirmaram que na noite da sexta-feira que antecedeu o crime, a vítima e os irmãos tiveram uma discussão que foi apaziguada pelos outros trabalhadores da propriedade.
No sábado, as outras pessoas que trabalhavam na chácara vieram para a cidade e apenas o trio permaneceu na propriedade rural. À noite, segundo a versão do acusado, já todos “altos” pelo consumo de bebida alcoólica, a vítima teria criticado a forma como um dos irmãos cozinhava macarrão, o que deu início a uma nova discussão. Segundo Leandro, ele e o irmão resolveram vir para a cidade, mas a vítima teria se apossado de uma faca e impedido que eles pegassem suas coisas.
Neste contexto descrito pelo acusado, Lailton teria se aproximado pelas costas de Valdir e desferido um golpe de enxada, que derrubou a vítima. Na sequência Leandro se apoderou de uma foice a atacou a vítima, que saiu correndo, mas foi perseguida. Ao todo, segundo os autos, foram nove golpes que atingiram braços, costas e face da vítima, que ficou caída dentro da mata próxima à casa.
Ainda com base nos depoimentos dos irmãos, eles foram embora; mas, retornaram à chácara ao perceberam que em meio às agressões um deles havia perdido o celular. Ao regressarem perceberam que a vítima havia se arrastado alguns metros do local aonde ocorreram os últimos golpes.
Lailton então pegou a faca e desferiu um golpe no peito da Valdir, que já estava gravemente ferido. Leandro contou que após este golpe o irmão foi desligar o gerador de energia. E enquanto o irmão saiu, ele pegou a faca e desferiu um novo golpe no pescoço da vítima.
A promotoria, representada pelo promotor João Paulo Lopes, com base nos autos e nos relatos dos irmãos, pediu a condenação do réu por homicídio duplamente qualificado por meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
O defensor público George Barreto Filho, responsável pela defesa do réu, buscou derrubar as qualificadoras, principalmente a de motivo cruel. “A multiplicidade de golpes por si só não caracterizam o meio cruel, há que se ter o dolo de prolongar o sofrimento da vítima”, pontuou Barreto Filho.
Mas os jurados não acolheram as teses da defesa; reconheceram as qualificadoras e condenaram o réu por homicídio duplamente qualificado.
A pena dosada pela juíza Liliana Pegoraro Bilharva, que presidiu o Tribunal do Júri, foi de 15 anos e seis meses. Leandro ficará preso na cidade de Colorado, onde já cumpre pena pelo crime de homicídio tentado qualificado, cometido em 2014 na cidade de Cabixi.
A defesa disse que irá analisar a sentença antes de decidir se irá ou não recorrer.