Diretor de presídio diz que cartas e fotografias estão liberadas
As mães e esposas dos detentos que cumprem penas no Centro de Ressocialização Cone Sul, em Vilhena, protocolaram junto a Ordem dos advogados do Brasil (OAB), um abaixo-assinado que visa a revogação da proibição das visitas na unidade, suspensas desde o início da pandemia do novo Coronavírus.
Apesar da flexibilidade das unidades prisionais com relação a trocas de cartas e fotos entre os familiares e os presos, as idealizadoras do manifesto firmam que esta iniciativa “não é suficiente” e relatam também a dificuldade em receber notícias sobre os familiares.
“A unidade tem estrutura para receber as visitas, pois tem salas com vidros destinadas aos advogados a até mesmo a quadra que é ampla”, afirmou uma familiar.
Em contato com Dirceu Martini, diretor da unidade, ele afirmou que na última semana houve uma flexibilização com relação às vistas proibidas pelo decreto estadual referente à crise sanitária, porém, somente para os órgãos socioeducativos, devido os internos serem menores. Nos presídios, porém, aos presídios nada foi mudado.
Dirceu afirmou também, que cartas e fotos entram e saem normalmente todas as semanas da unidade, e que os familiares que procuram notícias seja via telefone ou pessoalmente, certamente as recebem.
“Não temos a intenção de atrapalhar a vida de ninguém. Se não podemos ajudar, atrapalhar certamente não vamos”, afirmou o diretor.
Em apoio à ação, intitulada pelos familiares como “Visitas Sim”, as mães e esposas estão divulgando em suas redes sociais e encaminharam ao FOLHA DO SUL ON LINE, textos em forma de apelo, produzidos por elas.
Confira abaixo alguns deles
“É vergonhoso como são tratadas as mães e as esposas do sistema prisional. Triste demais é você não ter notícia do seu filho é você não poder ver o seu filho, é um pai não poder ver os seus filhos, e é os filhos que são crianças que já não os veem a mais de 7 meses. Imagina como seria não ouvir a voz não sentir o abraço do seu pai ou do seu filho vivo, mas que por causa do sistema prisional você não pode ver, ouvir ou falar com ele, dor e tristeza é o que sentem as mães e esposas daqueles que se encontram encarcerados. Até quando essa classe vai ficar sem ouvidos e olhos?! Não só na política, mas em tudo aqueles que estão presos antes de qualquer coisa são homens não são animais, são seres humanos e precisam ser tratados como tal. Nós aqui fora, a família no sentimos como bichos humilhados e desprezados por uma sociedade que julga a todos com igualdade, nem todo presidiário é marginal e nem por isso merece ser tratado como um animal. Atenciosamente uma mãe, uma esposa, um filho que já não pode mais se calar. Visita sim.”
“É muito triste ver uma criança pedindo pra ver seu pai, chora pedindo pra ver seu pai pois apesar de ele está lá por ter feito algum errado ele já está pagando pelo seu erro e são seres humanos. Eles têm família tem uma mãe que chora e ora pelo seu filho porque acredita na sua mudança. Vai fazer 7 meses que eles não podem mais ver sua família sem poder ter uma palavra de conforto um abraço poder comer uma comida diferente. Tá certo que foram cortadas as visitas por causa da pandemia mais já foi decretado pelo governo que pode voltar como em outras cidades já tá tendo. Então porque aqui não tá tendo? A visita e um direito de todos e estão privando eles disso. Atenciosamente uma mãe, filha esposa que já não pode mais se calar já esperamos do mais. VISITA SIM.”
“Bom quero começar já pedindo encarecidamente para que as autoridades cabíveis venham revogar o pedido para que retorna as visitas nos presídios. Sei que nesse tempo de pandemia não pode aglomerar muitas pessoas, mas no presídio Cone Sul de Vilhena tem sim possibilidade e jeito para poder ter as visitas pois as visitas são nas células, tem um espaço uma quadra enorme, tem três banheiros. Não tem desculpa para dizer que vai precisar entrar na cela. A cela para ter relação íntima é separada... há possibilidade sim de liberar visita... coloca em quantidade mínima e um horário específico, como uma hora e meia dez pessoas, 5 de cada lado são duas quadras. Dá para dividir. Estamos sem ver nossos entes queridos já tem 7 meses somos ser humanos não somos bichos não somos animais isso é um pedido de uma esposa, de uma mãe, de uma filha, de um filho, peço as autoridades não só agora por ser um momento de política mas eu sei são humanos também, porque o amanhã só pertence a Deus. E hoje somos nós que estamos sofrendo, mas amanhã pode ser você ou algum parente que esteja atrás das grades. Chega de se calar chega de ficar quieto. Visitas Sim”
“Os presos já se encontram sem a liberdade sem sua família para consolar não é porque errou que vai fica igual um ninguém. Enquanto tem um presidiário querendo seus filhos, esposas mãe e pai os mesmo precisam deles, são parentes amados da mesma forma que qualquer. A distância machuca...são dias de lutas pra nossos filhos que pedem pelos pais, nós mulheres lutando contra tudo, mães rezando pelos seus filhos e a preocupação acaba com qualquer um então sim visitas.”
“Eu acho desumano como nós familiares estamos sendo tratados com tantas mentiras sobre a volta da visita que supostamente disseram que seria agora em outubro. Estamos 7 meses longe de nossos familiares privado da liberdade, sem saber realmente o que está acontecendo. Estamos sendo tratados como fantoches, falam e fazem o que querem com a gente. Lá dentro se encontram seres humanos que por mais que erraram, já estão pagando pelos seus erros, sendo tratado pior do que bicho no sistema carcerário, longe de seus filhos, mães e esposas, que estão aqui fora aflitas sem vê-los há 7 meses. Até quando os governantes vão fazer nós familiares de fantoches, mentindo que vão liberar a visita na primeira semana de outubro, só pra nos deixar com esperança, pra depois jogar um balde de água fria. Sofremos juntos com eles. Até onde vai a falta de respeito conosco familiares de detentos. Estão falando em liberar a visita em outubro porque querem voto, eleição chegando, sabemos que estamos enfrentando um vírus invisível, que veio para matar, mas porque liberar outros serviços e não libera visita do sistema carcerário, é um direito do detento ter visita. Até onde vai essa falta de consideração e respeito... só queremos um direito nosso de ver nossos maridos, filhos, pais. E é um direito deles ter visita!”
Fotos
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 05 de Outubro de 2020, às 09:47