O mecânico Mauro Felife, que testemunhou a briga que resultou num duplo assassinato na zona rural de Vilhena na noite de ontem, concedeu entrevista ao FOLHA DO SUL ON LINE e deu detalhes do episódio.
Ele disse que havia ido ao sítio que virou palco da tragédia e, ao chegar, já encontrou bêbado o pedreiro Sílvio Schmitka, 36, que estava em companhia de seu sobrinho, Cleiton Schmitka, 24. “Eu só vi o Silvio bebendo. O Cleiton eu não presenciei consumir bebida”, revelou.
Conforme o entrevistado, Sílvio fez uma brincadeira que teria sido a causa da tragédia. “Ele apostou 100 reais que iria beijar uma moça que estava no local e que eu nem conheço”, relata Mauro.
A mulher de um dos moradores da casa, chamada Patrícia, teria cobrado o pagamento da aposta porque Schmitka não conseguira dar o beijo na moça. Neste momento ele se alterou e após, agredir a mulher, ameaçou pegar a espingarda que havia levado ao local e “matar todo mundo”.
Um cunhado da mulher atacada, impediu que o pedreiro pegasse a arma, mas foi mordido no peito por ele. Um outro cunhado de Patrícia conseguiu pegar a espingarda, garantindo que a devolveria na segunda-feira. Sílvio, no entanto, colocou uma faca no pescoço do rapaz e tomou-lhe arma.
Mauro diz que, quando viu o pedreiro armado, trancou-se no quarto com três crianças, que queriam sair para o terreiro. Sílvio montou na moto em companhia do sobrinho e foi embora, prometendo voltar para executar toda a família.
Minutos após o desentendimento, Tharly Ribeiro, 27, que estava caçando, voltou ao sítio, onde encontrou a esposa ferida e os dois irmãos que lhe relataram o ocorrido. O sitiante entrou na caminhonete do irmão e disse que iria até algum ponto onde pegasse o sinal do celular. Sua idéia era ligar para a polícia alertando que Sílvio estava bêbado e armado.
Quando retornou, cerca de 40 minutos depois, confessou que havia matado Silvio e Cleiton. Mas disse que havia se arrependido da morte do mais jovem. O mais velho foi degolado, enquanto o outro foi executado a tiros. Após a confissão, embrenhou-se no mato, prometendo se apresentar nesta segunda-feira, dia 02.
Mauro explica que nem ele nem sua mulher, Adenilda Alves dos Santos, em momento algum se envolveram no desentendimento que provocou os crimes. Ele disse que, após as mortes, veio à cidade, passou na casa de um irmão de Tharly (Rozeno Ribeiro) e, em seguida, buscou orientação junto a um advogado. Depois, por orientação do profissional do Direito, encaminhou-se para o 3º BPM e levou os policiais até o local onde estavam os corpos das vítimas.