Poucos que vêm à Expovil de carro conhecem estes personagens, mas seus apitos intermitentes e coletes laranjas são dignos de confiança da maioria. Os guardas do estacionamento do Parque de Exposições cuidam de aproximadamente mil veículos todas as noites em turnos de até 12 horas de serviço. Apesar de passarem despercebidos pelos motoristas, seu trabalho é fundamental: só na noite de ontem, sábado 30, os vinte funcionários terceirizados pela Aviagro para cuidar dos carros da festa conseguiram evitar 10 assaltos a veículos.

O turno dos vigias de carro na Expovil começa às 19h e se estende até às 5h do outro dia. “Na verdade, ficamos enquanto houver carros aqui, até o último sair”, afirma o guarda Douglas Alves Debrum. “É uma rotina desgastante, mas não me importo de perder a festa para trabalhar”.

Uma das recompensas pelo serviço pesado é o salário. Douglas vai faturar R$ 630 nos nove dias de festa. “É quase um salário mínimo em uma semana”, pondera. “Tudo bem que apenas durmo durante o dia, mas vale a pena. Estou acostumado com a rotina, pois fora da Expovil sou segurança em shows”, explica.

A outra recompensa é comentada com uma certa dose de orgulho de trabalho bem feito por Douglas. “Nosso serviço é evitar que mal-intencionados roubem os carros. Eles não vão levar o carro embora, porque a portaria fiscaliza as placas, mas poderiam levar pertences ou rádios. Só ontem, houve 10 tentativas de roubo aqui. Nestes casos acionamos a Polícia Militar imediatamente e usamos os apitos. Isso inibe a ação de ‘malandros’”, conta.

Enquanto a reportagem conversava com o vigia, um motorista executou a manobra conhecida como “cavalo de pau” entre as fileiras de veículos. O barro facilitou a proeza, mas também fez o carro perder o controle e quase atingir outros. “Olha só, isso também é uma coisa que devemos coibir”, lamentou Douglas enquanto apitava para o motorista empolgado. “Temos que cuidar do trânsito e orientar os melhores lugares para estacionar”.

Um dos que foi orientado por Douglas é o acadêmico e motorista Luan Vacari. O rapaz admite que a segurança no estacionamento do parque melhorou este ano, mas que ainda pode melhorar. “Poderiam melhorar a estrutura, as ruas ficam cheias de barro quando chove. Também acho que há poucos fiscais para tantos carros. Para me sentir mais seguro, procuro deixar o veículo próximo aos postes de luz, assim fica mais fácil de visualizar um possível ladrão”.

Os amigos de Luan concordam e fazem questão de destacar sua insatisfação com o valor do estacionamento. Para eles, as condições deveriam ser melhores para que se cobre R$ 10 por noite.