Na tarde de ontem, um homem de 37 anos procurou a Delegacia de Polícia Civil de Vilhena para registrar uma ocorrência curiosa: ele disse que havia sido seqüestrado no dia anterior (domingo, 16, por volta das 15:00h) nas proximidades do Lions Clube, no bairro Cristo Rei, por dois travestis.
Segundo o relato da vítima, ele transitava pelo local quando dois homossexuais desceram de um carro modelo GM Vectra de cor verde fosco, e o colocaram dentro do veículo de olhos vendados. Em seguida, após agredir o denunciante com socos e pontapés, os dois gays pegaram a senha e o cartão de crédito do homem, a quem também pediram R$ 800, que ele alegou não ter.
Os dois acusados então o levaram até a agência do Itaú, no centro da cidade, onde ele sacou R$ 20 no caixa eletrônico. Depois disso foi levado para um local cercado por muros e mantido ali até o dia seguinte, quando os marginais retornaram.
Novamente, a vítima teve que acompanhar os dois travestis ao banco, onde eles ficaram à espera, dentro da agência, enquanto ele solicitava um empréstimo, operação que não foi autorizada pelo setor que o atendeu. Quando foi levado para o antigo esconderijo, o homem começou a gritar e os bandidos permitiram que ele fosse embora a pé.
Em seu depoimento na DPC, o ajudante de produção, que trabalha no frigorífico JBS Friboi, revelou que as imagens da dupla aguardando a liberação do empréstimo foram captadas pelo sistema de câmeras da agência bancária.Também disse que talvez consiga retornar ao local do cativeiro, mesmo estando vendado no momento em que chegou até lá.
Conforme a descrição dos suspeitos, feita pela vítima, ambos usam trajes femininos e um, que é moreno, tem até seio. O outro é loiro.
O FOLHA DO SUL ON LINE ligou para um funcionário do banco a quem o trabalhador teria solicitado o empréstimo. Por razões éticas, ele não revelou o valor pedido. Explicou, no entanto, que o homem parecia à vontade quando negociava o crédito, enquanto as duas “moças” aguardavam em assentos próximos à mesa onde acontecia o diálogo. Em seguida à negativa, ele saiu do estabelecimento acompanhado pelas “duas”.
Pouco depois, o operário retornou ao Itaú e revelou que estava sendo coagido. Desta vez, acompanhado pela esposa, ele alegou que chegou a piscar para o funcionário que o atendia, mas o bancário garante que não percebeu o gesto.