Apesar dos 559 votos que fez na última eleição, o vereador José Cechinel (PSC) está com o mandato ameaçado. E pior: pode ser obrigado a ceder a vaga a um substituto que sequer concorreu no ano passado.
A ameaça que paira sob Cechinel tem nome e sobrenome: Rosivaldo Paiva (PSDC). Titular de uma das dez cadeiras da Câmara até ser cassado por abuso de poder econômico (traduzindo: compra de votos), Rosivaldo anda dizendo publicamente que pode entrar na justiça para afastar Cechinel, que o sucedeu em 2009, por determinação da Justiça.
Paiva se baseia em recentes decisões do STF para “encostar a faca” no pescoço de Cechinel. A Corte tem firmado entendimento de que, quando um político perde o cargo, seja lá por que motivo for, a vaga deve ser entregue ao partido ao qual pertence a pessoa penalizada. Foi assim quando Natan Donadon (PMDB) renunciou ao mandato: ao invés de empossar Agnaldo Muniz (PSC), o primeiro suplente da coligação do parlamentar, o mandato foi entregue a João da Muleta, o primeiro do PMDB na fila. Já a Câmara dos Deputados tem outro entendimento e vem dando posse aos suplentes das coligações.
Segundo andou bravateando Rosivaldo, basta que seu partido entre na justiça para que Cechinel, primeiro suplente da coligação PSC-PSDC e PT do B seja expurgado. Abusado, o parlamentar cassado ainda demonstra suposta intimidade com a legislação eleitoral para afirmar: qualquer filiado ao PSDC teria legitimidade para herdar o mandato, ainda que não tenha um voto sequer.
Cechinel não se pronuncia sobre a suposta ameaça, mas um advogado de quem é amigo, ao saber da pressão sobre ele, tranqüilizou o parlamentar. Para o causídico, só o STF poderia mandar empossar o substituto “sem-voto”, mas uma ação na mais alta Corte de Justiça do País estaria fora dos padrões financeiros dos interessados na questão.