“Tenho certeza que nenhum desses profissionais quer auxílio para sustentar seus lares
 
A flexibilização do Decreto Municipal que permitiu a reabertura de parte do comércio vilhenense foi assunto na sessão legislativa da Câmara Municipal de Vilhena realizada nesta terça-feira, 14. Sem a presença de público no auditório do Palácio Nadir Ereno Graebin, mas com transmissão ao vivo via rede social, os vereadores trataram do tema.
 
A vereadora Professora Valdete Savaris (PPS) revelou que percorreu alguns comércios da cidade na busca por material para a confecção de máscaras e denunciou, sem citar nome do  estabelecimento e revelando apenas se tratar de uma papelaria, que nenhum cuidado era tomado para evitar a transmissão do Coronavirus. “Infelizmente em uma papelaria encontrei uma situação onde nenhum cuidado de prevenção era tomado: não tinha álcool, não tinha toalha descartável, não usavam máscara”, afirmou, antes de continuar: “O prefeito precisa fazer ações desagradáveis, porque alguns comerciantes estão desrespeitando o decreto estadual e a recomendação em nível mundial”.
 
Savaris afirmou ainda: “É fácil governar uma cidade em tempos de glórias, agora na ruína é difícil pra nós, é difícil para o Executivo. Nenhum de nós queria estar na pele do Executivo, pedindo para comerciantes fecharem as portas, pedindo para a polícia intervir”, pontuou e,  dirigindo-se ao vereador França Silva, disse: “O que eu acho desrespeito, vereador França Silva (PV), o senhor que faz parte do Comitê de Enfrentamento, são as filas de banco e lotéricas repletas de idosos, pessoas da faixa de risco. Precisamos unir forças, os comércios precisam tomar as devidas precauções”.
 
Integrante do Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus, o vereador França Silva lamentou que as pessoas ainda não tenham a consciência do perigo que o vírus representa. O edil falou sobre um segmento específico de atividade que não foi beneficiada pelo decreto. “Faço esse esclarecimento para termos um parâmetro do porque não foi liberado neste momento para que os salões de cabeleireiro e clínica de estética retomassem as atividades. Quero deixar claro que, em hipótese alguma, a vontade do Comitê foi a de deixar esses profissionais de fora. Nossa vontade era a de liberar para que eles pudessem voltar a ganhar o seu pão de cada dia”, disse Silva.
 
No entanto, de acordo com as explicações do vereador, a decisão pela manutenção desses estabelecimentos de prestação de serviços fechados, teve como base o Decreto Estadual. “O Decreto do Estado é explícito e proíbe de funcionar salões de cabeleireiro, barbeiro, manicure, pedicure e clínicas de estática em geral. Não é maldade nenhuma, não tem ninguém aqui contra essa classe, temos um representante do MP dentro do Comitê e ele nos orientou quanto a esta linha que diz o que está proibido”, pontuou.  
 
Para o vereador Samir Ali, o cenário vilhenense exige que mudanças sejam feitas. Ele disse que entende o posicionamento do Comitê, mas argumentou que, pelo cenário atual de Vilhena,  onde as pessoas se aglomeram nas ruas e filas de banco, no Parque Ecológico e até em frente a própria Câmara de Vereadores aos finais de tarde e noite, não dá para exigir que esses salões da cabeleireiro e afins permaneçam fechados. “Eu acho que não dá pra gente falar apenas que ‘é culpa do decreto do Estado’, não pode ser desta maneira. Nós temos que tomar uma medida para que mude esse cenário, e para que essas pessoas possam de fato buscar o sustento das suas famílias. Porque tenho certeza que nenhum desses profissionais quer auxílio para sustentar seus lares; o que eles querem é ter o direito de trabalhar e é isso que eles devem ter. Então, nós temos que ir além de esbarrar em um decreto do Governo do Estado”, argumentou.