Proposta de Japonês é usar os R$ 2,5 milhões em manutenções e compra de equipamentos
Um dos assuntos mais comentados na sessão desta terça-feira, 07, da Câmara Municipal de Vilhena foi a defesa do rateio das sobras do FUNDEB. O assunto tem ganhado força nos últimos dias pela decisão do Executivo municipal em destinar os valores para outras ações, como à manutenção de algumas escolas e a aquisição de equipamentos.
Professora da rede pública e ensino, a vereadora Vivian Repessold (PP), que já esteve à frente Secretaria Municipal de Educação, tem sido uma das principais vozes na defesa do rateio das sobras do FUNDEB entre servidores da Pasta.
Ao falar sobre o tema hoje, durante a sessão, Repessold denunciou que o prefeito Eduardo Japonês (PV), mesmo tendo dinheiro em caixa, decidiu destinar os valores do FUNDEB para manutenção de escolas e compra de equipamentos. Lembrou que num ano de tantas dificuldades impostas pela pandemia, o rateio, além de significar reconhecimento e valorização da categoria, proporcionaria que os servidores tivessem um final de ano mais digno. E relatou uma cena que aconteceu durante uma reunião ontem, que tratou sobre o tema com a secretária de Educação, Amanda Espíndula Areval.
“O que eu vivenciei ontem aqui nesta Casa eu nunca imaginei vivenciar. Ontem eu recebi aqui, a convite do meu colega Pagani, a secretária de Educação e alguns profissionais da educação. Eu vi professora chorando aqui ontem. Eu vi professora contando a sua história de vida e implorando pra ser reconhecida. Eu vi professora relatando ontem, como meus colegas vereadores viram também, a dificuldade que passam porque o salário é pouco. Mas, a boa vontade de trabalhar é enorme. Professores que adaptaram as suas casas, se empenharam em compras de celulares, empenharam em adquirir internet, porque isso não foi oferecido, para poder atender aos alunos. Quando se fala que o professor faz a função por amor, isso é verdade. Só que nós também temos família, nos também precisamos do nosso financeiro para podermos dar continuidade ao nosso trabalho”, ponderou.
A vereadora defendeu ainda que “o FUNDEB é específico para a remuneração do servidor, para a valorização da classe, e o reconhecimento do que esse servidor fez e faz todo dia dentro das escolas. “Hoje, estão trocando uso do recurso. Ao invés de usar recurso próprio que nós termos em caixa, milhões em superávit, estão usando recursos do FUNDEB”, apontou a vereadora, citando um projeto que foi lido na sessão de hoje e que deve ser pautado para votação na próxima sessão, destinandp mais de R$ 2.5 milhões do recurso do FUNDEB para aquisição de equipamentos e materiais permanentes para atender as escolas municipais.
“As escolas precisam de manutenção? Precisam! Precisamos de equipamentos? Precisamos! Mas, o município tem condições de dar, através do superávit, não tirar do FUNDEB que é um direito a remuneração do servidor”, ponderou Repessold antes de prosseguir: “ o reajuste não foi repassado. Agora, usa-se o dinheiro do FUNDEB para outros fins, tirando o direito do servidor de receber esse rateio no final do ano. Prefeito, amolece esse teu coração. Olha para a classe que te elegeu prefeito. O servidor da educação foi pra rua, pediu voto; confiou na tua palavra de que não haveria perseguição e que haveria valorização. Agora, em pleno final de ano, depois de ter tirado dinheiro do bolso; com a oportunidade de ter rateio, o senhor vira as costas como fez semana passada com uma servidora que tentou lhe entregar um abaixo assinado sobre o rateio?”, lamentou.
Último a fazer uso da palavra, o presidente do Legislativo Municipal, vereador Ronildo Macedo (PV), que é do mesmo partido do prefeito Eduardo Japonês, mas que nos últimos meses tem sido um dos principais críticos da administração dele, sugeriu aos colegas que votem pela não aprovação do projeto que destina verba do FUNDEB para outros fins.
“É simples de se resolver. A gente está com o projeto aqui, está na nossa mão, vereadores. Se na sessão que vem a gente não aprovar esses R$ 2 milhões e meio, vai ser feito o rateio. Ou o prefeito prefere devolver esse valor pro Governo Federal?”, questionou Macedo, antes de concluir: “eu acho que seria mais digno ele pedir a retirada desse projeto da pauta. Mas, se ele não fizer, vamos trabalhar para que esse projeto não seja aprovado”.
Autor:
Rogério Perucci
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 07 de Dezembro de 2021, às 15:05