A audiência pública realizada na noite de ontem pela Prefeitura de Vilhena para discutir projetos de mobilidade urbana na BR-364, no perímetro urbano, terminou cercada de questionamentos e insatisfação. O evento aconteceu na Câmara de Vereadores.


Apesar de anunciada como um encontro técnico em que também se escolheria o melhor modelo de projeto, a reunião não apresentou números básicos sobre as propostas e foi alvo de cobranças sobre custos, viabilidade e até sobre o uso político do evento.


O auditório ficou lotado, com dezenas de acadêmicos dos cursos de Engenharia e Arquitetura de uma faculdade local e representantes da sociedade civil. A expectativa era de debate sobre fluxo de veículos, impacto, prazos e valores. No entanto, os engenheiros da empresa contratada para desenvolver os projetos se limitaram a exibir imagens e animações gráficas, com informações genéricas sobre os diferentes modelos.


Dos quatro projetos apresentados, três eram imagens de obras feitas em outras cidades - o que não permitiu uma análise virtual mais adequada dos projetos em Vilhena - e apenas um trazia uma arte original, com referência a Vilhena, apontada pelos próprios técnicos como a opção mais próxima do que poderia ser implantado na cidade.


A ausência de dados concretos foi o principal ponto de crítica. Estudantes levantaram dúvidas técnicas sobre capacidade e dimensionamento das vias onde estão previstas as intervenções, mas não receberam respostas objetivas.


O jornalista Paulo Mendes questionou publicamente o motivo da audiência, já que, segundo ele, R$ 1 milhão foi pago para elaboração do projeto e nem informações básicas, como volume de tráfego para cada alternativa, foram apresentadas para que a população pudesse comparar custo-benefício. A resposta dos engenheiros gerou ainda mais desconforto (ASSISTA VÍDEO).




Os profissionais disseram que as informações técnicas não seriam discutidas na audiência, posição que contraria o próprio anúncio do evento e a fala inicial do cerimonialista, que pediu que os questionamentos se limitassem aos aspectos técnicos e evitassem viés político.


Mesmo com a orientação, a maioria do público saiu sem compreender os critérios usados para definir as propostas. Diversas pessoas cobraram estimativas financeiras das obras.


O argumento foi de que, sem saber se um projeto custa 10 milhões ou 100 milhões, fica impossível avaliar o melhor custo benefício e a viabilidade de captação de recursos. A cobrança foi feita inclusive pelo prefeito, Delegado Flori (Podemos), mas não houve previsão de valores por parte da empresa.


Durante a audiência, o nome do candidato apoiado pelo prefeito foi citado duas vezes, de forma discreta e sem menção direta à candidatura. Para parte dos presentes, somado à falta de conteúdo técnico e à estrutura do evento, isso reforçou a percepção de que a audiência teve também um cunho de promoção do candidato, que inclusive esteve no evento com camiseta constando seu nome dos dois lados.


No fim, o que era para ser um debate técnico sobre o futuro da mobilidade na BR-364, se resumiu a apresentações visuais sem dados de base. Ficou no ar a dúvida quanto aos próximos passos e sobre como a população poderá de fato opinar sobre um projeto que ainda não mostrou números.


Foi prometido aos participantes do evento que todas as informações estão disponíveis no Portal da Prefeitura, o que gerou ainda mais desconforto, já que o encontro deveria ter sido norteado por dados concretos.