Professor da Unir denunciou atitude homofóbica
Incendeia as redes sociais em Vilhena um episódio registrado no sábado, 29, numa das casas noturnas mais badaladas de Vilhena, denunciado por um professor da Unir em seu perfil no Facebook: a agressão a uma garota que teria beijado outra dentro do estabelecimento e despertado a revolta do dono da boate.
Compartilhada por outros internautas e sendo debatida por simpatizantes e militantes do movimento GLBT na cidade, a postagem do educador vem inspirando uma proposta polêmica de protesto contra a suposta discriminação: um “beijaço gay” em frente à casa noturna.
Confira abaixo, na íntegra, a acusação feita pelo professor ao empresário, que preferiu não se manifestar sobre o caso:
Fui com um grupo de amigas e amigos na noite de ontem (29/08) para o espaço de música eletrônica da Boate Jão, onde já havíamos estado no penúltimo sábado, e durante o evento fomos advertidos por Adelço Bastos – mais conhecido como "Dedé" – de que a casa noturna não é "boate GLS" e, por isso, beijos de pessoas do mesmo gênero não seriam tolerados por estarem ofendendo alguns frequentadores do local, justamente os mesmos que não só lançaram pedras de gelo e latinhas de cerveja em LGBTs presentes na festa como também agrediram uma companheira lésbica batendo a sua cabeça no chão e tentando jogá-la na piscina. E nós é que estávamos incomodando, né?
Após essa primeira desfeita o sócio proprietário da casa também agiu de maneira lesbofóbica pegando uma amiga pelo braço para BELISCÁ-LA e adverti-la de que não poderia beijar outra mulher ali dentro pelos mesmos motivos já citados: atitude extremamente paternalista, a meu ver, que só demonstra o total despreparo de Dedé em seu atendimento à clientela. Diga-se de passagem, a noite correu tranquila para todos os outros casais, alguns deles LGBTs, o que torna a repreensão ainda mais problemática por ter sido direcionada a duas mulheres diversas em gênero, etnia e classe social, isso numa casa noturna que já é bastante conhecida por sua política segregacionista e pelos episódios de violência física contra mulheres.
Já acusado de agredir uma cliente pelo sumiço de sua comanda, o dono da boate deveria estar mais preocupado com o bem-estar de todas e todos que a frequentam para diminuir a má reputação da casa e de si próprio, o que também incluiria não fazer esse papel de capacho pra uma clientela egocêntrica e branca de classe média alta que se sente dona de um espaço aberto ao público. E vou além: acho muito estranho que as minhas alunas, amigas e colegas se sintam hoje mais seguras na rua do que nesse local, mesmo com o tamanho de seus muros. Fica aqui o meu repúdio e também um conselho: cuidem-se e não frequentem essa casa. É um ambiente de extrema nocividade e os próprios gerenciadores do negócio não levam em conta a cultura que estão incentivando ali dentro.
Vilhena, 30 de agosto de 2015.
Thales H. Pimenta.