Pai da vítima,que tinha 21 anos, levará caso à justiça

De posse do Laudo de Exame Tanatoscópico realizado no corpo do filho, no Hospital Regional de Cacoal, com suspeitas de espancamento, o autônomo Ailton Domingos Santos, 45 anos, procurou o FOLHA DO SUL ON LINE para reafirmar sua convicção de que o jovem Cleyton Henrique Carvalho Santos, 21, morreu em virtude das agressões que havia sofrido dentro do Centro de Ressocialização Cone Sul, presídio que fica nos arredores de Vilhena.

Ao falar do caso, no mês passado, os pais do garoto supostamente assassinado, causaram comoção em toda a região, ao revelarem as evidências do espancamento. O pai, aliás, acredita que os próprios PMs que prenderam Clayton também tenham agredido o rapaz. Já encarcerado, ele teria sofrido novos ataques. Relembre aqui.

Ao retomar as denúncias que havia feito contra a direção do presídio, Ailton mostrou o Exame Cadavérico, que é taxativo: o ferimento que fez com que Cleyton ficasse com a mandíbula deslocada, teria sido provocado por um instrumento “corto contundente”. Diz o documento: “A equimose descrita no lábio inferior é compatível com ferimento corto contundente sofrido há pelo menos dez dias, não sendo possível determinar a data exata do fato. O ferimento evoluiu, formou um abcesso que levou ao óbito por sepsemia. Não é possível determinar qual objeto atingiu a boca da vítima”.

O denunciante lembra que, além desta constatação, o laudo também desmente a alegação da direção do presídio, que teria justificado que Clayton havia sofrido uma crise renal, motivo pela qual fora internado no Hospital Regional de Vilhena. Diz ainda a entidade prisional que, por causa da suposta reação do jovem a um medicamento, seu quadro teria se agravado, fazendo com que ele fosse transferido às pressas para Cacoal, onde aconteceu o óbito.

Ailton diz que o mesmo documento relata que a morte do filho aconteceu no dia 10 de julho, mas o corpo só lhe foi entregue quatro dias depois. “Meu filho saiu de casa sem nenhum problema, no dia 06 de julho. Foi preso e, ao que tudo indica, passou mais de uma semana sendo torturado. Esse laudo não deixa dúvidas de que houve até tentativa de manipulação, uma vez que os exames também não detectaram nenhum problema renal”.

Ailton e a esposa contrataram advogado e pretendem entrar na justiça, para que a morte do filho não fique impune. “Não há como se conformar com uma crueldade dessas. Agora, com o documento reforçando as suspeitas, esperamos que o Ministério Público também entre no caso e os culpados sejam punidos”, finaliza o pai.