Para parlamentar, secretário deixou a desejar

Durou quase quatro horas a sabatina à qual foi submetido na manhã desta terça-feira, 20, na Câmara Municipal de Vilhena, o secretário municipal de Educação, José Carlos Arrigo. Durante toda a manhã, o educador respondeu as perguntas dos vereadores sobre assuntos administrativos, de planejamento, e estruturais relacionados à rede de ensino municipal. 
Um dos pontos sobre os quais Arrigo teve que dar explicações é o porquê de retirar professores das salas d educação infantil, deixando apenas um deles lidando com turmas que tem crianças com idade inferior a quatro anos. De acordo com o secretário, a decisão teve como base uma determinação do MP, por decisão de uma juíza federal que entendeu que alunos que completarem quatro anos até dezembro de cada ano, poderiam ser matriculados na primeira série, e não mais na pré-escola. 
Segundo ele, esta ação já deveria ter sido aplicada no início do ano, mas por pressão dos professores, acabou adiada. “Agora, por causa da crise que atravessamos, e que nos obriga a cortar despesas, resolvemos tomar esta medida”, afirmou. 
Arrigo também falou sobre queda de repasses do MEC nos últimos meses. Mas, para a presidente do Conselho do FUNDEB, a professora Ivanilda Pinheiro Godoy, a diminuição dos valores repassados, o que aconteceu nos últimos três meses, não pode ser apontado pela administração municipal como fator principal para a crise pela qual a educação local passa. 
Ivanilda expôs gráficos demonstrando que, apesar da queda nos repasses do FUNDEB, Vilhena recebeu, de janeiro até setembro deste ano, R$ 22.167.997,41, ou seja, R$ 516.099,79 a mais que no mesmo período do ano passado. 
Para a vereadora Valdete Savaris (PPS) o secretário deixou a desejar em alguns pontos, como na questão dos professores retirados das salas de aula. “Nós esperávamos uma atitude imediata, porque ele não tem nenhum documento dizendo que não pode colocar dois professores na sala de aula”, disse a parlamentar, e continuou: “A decisão foi tomada de maneira informal, sem documentação que sustente a medida”. 
Outra situação apontada pela vereadora como insatisfatória é a de alguns diretores que estão tendo que dar aulas, deixando um turno descoberto. “Mais uma vez o secretário toma como base para suas ações apenas conversas informais, sem documentos que embasem a decisão”, pontuou a vereadora. 
A vereadora questionou ainda a ausência de Maria Aparecida Campana, presidente do Conselho de Alimentação, que também foi convocada, mas não compareceu. “A ausência da senhora Maria Aparecida Campana é lamentável, uma vez que ela seria a pessoa ideal para responder alguns questionamentos sobre a merenda escolar; ela não veio, é uma pena, muitas perguntas sequer foram feitas”, lamentou.
Mas, a vereadora também apontou alguns pontos positivos: o principal deles, a reunião que ficou agendada já para a quarta-feira, 21, na Secretaria Municipal de Educação quando Arrigo receberá os vereadores que compõem as Comissões Permanentes de Educação e de Constituição e Justiça. “Espero que ele nos escute, como sugeriu aqui que o fará. Se isso acontecer, talvez em cooperação, possamos encontrar caminhos, apontar um rumo que ele deva seguir com a Secretaria de Educação até o final de ano com os recursos ainda disponíveis", concluiu a vereadora.