Adolescentes que estavam em outras cidades vão retornar
Em entrevista ao FOLHA DO SUL ON LINE, na manhã de ontem (segunda-feira, 26, a juíza Sandra Beatriz Merenda, titular da Vara da Infância e da Juventude em Vilhena, anunciou que pode desinterditar parcialmente a Casa da Cidadania, estabelecimento que acolhe menores em conflito com a lei.
A unidade foi desativada por ordem da própria magistrada, em março deste ano, após uma intervenção que exigiu inclusive a ação da Polícia Militar. Com a interdição, os menores que estavam no local foram transferidos para outras cidades.
De acordo com a juíza, com uma pequena verba liberada pelo Governo do Estado, foi possível executar uma reforma que permitirá o retorno de pelo menos nove adolescentes, todos do sexo masculino, e que estavam em outros municípios. “Mantê-los próximos de suas famílias ajuda na ressocialização e é um direito que a lei lhes garante”, explicou Sandra.
A juíza lembrou que, para embasar sua decisão de suspender as atividades da Casa após o tumulto, mostrou que as condições de vida no local eram degradantes: celas escuras e sem ventilação, água de chuvas invadindo alojamentos e rede elétrica exposta. “Eram verdadeiros calabouços”, denuncia.
MÃO NA MASSA
O dinheiro para a execução das obras era “curto”, mas só tornou o estabelecimento habitável porque os próprios socioeducadores atuaram como voluntários no trabalho. Usando suas habilidades como pintores, pedreiros e encanadores, os servidores, que são responsáveis pelo monitoramento dos internos, pouparam gastos com a mão-de-obra e realizaram os serviços que, na avaliação da juíza, ficaram muito bem feitos.
Com parte de sua estrutura já recuperada, a Casa da Cidadania receberá de volta apenas os meninos. As garotas que estão em outras cidades precisarão aguardar um pouco mais, pois o pavilhão destinado a elas será demolido para que um novo seja erguido e ofereça condições dignas de internação.
REPORTAGEM
Versão impressa desde site, o jornal FOLHA DO SUL está preparando uma reportagem sobre a unidade e tentará veiculará o material já em sua próxima edição. Tanto a juíza quanto o diretor da instituição serão entrevistados.