Xuxa Lopes, 59 anos, pediu dispensa de Sangue Bom, em que interpretava a milionária Bluma, e não faz mais parte do elenco da novela das 7 da Globo. O motivo é a síndrome do pânico ela sofre do mal há três anos , que a levou a mudar toda a sua rotina. A atriz iniciou o tratamento com sessões de psicanálise e passou a tomar antidepressivos, sem abandonar a luta para vencer o medo que a tirou do ar. "Estava começando a atrapalhar nas gravações. Na hora de ir para o set com o elenco, subia uma coisa pela garganta, parecia que meu coração ia sair pela boca, eu suava, aí me dava um branco e não sabia o que tinha de fazer ali", revela. Na quinta-feira (3), Xuxa recebeu CONTIGO! e abriu seu coração durante duas horas de conversa em seu apartamento no Leblon, no Rio de Janeiro. Em crise e com vontade de ajudar pessoas que sofrem do mesmo mal, ela revela detalhes de seu esforço em um desabafo emocionante.
Como você identificou que estava sofrendo de síndrome do pânico?
Venho dando sinais há uns três anos. Fui procurar ajuda porque comecei a ficar angustiada. A primeira vez que percebi, estava voltando de Porto Alegre e achei que um raio tivesse atravessado a asa do avião. Foi o suficiente! Eu fiquei louca na hora. Cheguei e fui ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Outra vez me indicaram um dentista, que era no 25o andar. Cheguei à porta do prédio e voltei. Falei: "Não vou lá por nada". Foram algumas coisinhas que me deram indicações de uma fragilidade maior. De vez em quando eu ficava assustada de estar em um elevador cheio de gente, ficava agoniada. Comecei a inventar que adorava subir escadas. Aí, quando via, subia dez andares.
O que você acredita que desencadeou a doença?
Eu via esses sinais na minha vida, mas, em paralelo, algumas coisas aconteciam no meu lado profissional. É que eu mesma tinha ressalva a meu trabalho de atriz. Minha mãe (Maria Helena Lopes, morta em 2006) não me dava força, não me achava boa atriz. Até que, há dois anos, comecei a gostar do meu trabalho, eu me senti completamente livre. Sei que parece tardio, mas custei para ter essa segurança de atriz e, hoje, tenho uma paz imensa com isso. Eu não estou linkando a morte da minha mãe a essa liberdade, porque, se você me perguntar, eu não estou mal. Mas, na televisão, estava meio estranha. Aí eu me questiono: será que passei a ter medo de uma liberdade imensa e é ela que me apavora no trabalho de ator? Porque agora a questão é só no trabalho. No dia a dia, minha vida é normal.
Você acha que a figura de sua mãe influenciou as crises?
Influenciou, sim. Ela nunca fez por mal, mas eu sofria uma pressão enorme. Ela não achava legal eu ser atriz. Queria que eu me casasse com um cara bacana e tivesse filhos.Com sua morte... Foi muito libertador e tirou o peso. Depois, foi como se eu estivesse com um excesso de confiança que nunca tive. Achava que minha mãe estava com o olhão sempre em cima. Mas ela era louca por mim, a filha única. Acho que são relações que ficam detonadas, muito neuróticas e isso vem à tona. Minha mãe já não estava aqui, foi o momento de libertação e parece que não posso viver essa libertação.