Acompanhada da colega Rosalina Reis Goebel, a enfermeira Neide Ikino, coordenadora do Programa Agentes Comunitários de Saúde, veio à redação do www.folhadosulonline.com.br para fazer reparos na reportagem sobre a Maternidade do Hospital Regional, veiculada no jornal FOLHA DO SUL, na semana passada.

De acordo com as duas profissionais de saúde, mais de 90% dos exames pré-natal na cidade são feitos por enfermeiras. Mesmo os casos considerados de alto risco, que deveriam ser atendidos pelos médicos, acabam “sobrando” para elas. Por isso, segundo as duas, pode haver casos em que o trabalho não seja satisfatório, dada a limitação da categoria em comparação com os clínicos e cirurgiões.

A matéria da FOLHA relatava uma situação comum na Maternidade. Dizia o texto: “A cada dia a equipe médica atende a mais complicações pós-parto, causadas por acompanhamento pré-natal mal-feito, e também por desleixo de pais e mães adolescentes, animados na hora de fazer e irresponsáveis na hora de cuidar”.

Embora as próprias gestantes elogiem o trabalho das enfermeiras, o atendimento às futuras mães poderia ser até melhor, se as recomendações do Ministério da Saúde fossem obedecidas na cidade. Pelas normas do órgão, toda grávida deveria contar com a orientação de nutricionistas, psicólogos e médicos (e outras especialidades, quando necessário) para garantir um parto seguro.

Felizmente, ainda que não seja o adequado, o atendimento às grávidas é eficiente, tanto que as complicações em partos não ficam acima da média nacional. O que dificulta aos médicos fazerem atendimento pré-natal, um procedimento demorado e que exige muita paciência, é a falta de profissionais em número suficiente na rede pública.

“Afirmo que em Vilhena não existe pré-natal mal feito. Pode, sim existir casos de pré-natal insatisfatório por falta de atendimento de uma equipe multiprofissional. Na cidade, todas as atribuições desses profissionais estão ficando quase sempre a cargo dos enfermeiros. Existe, sim, a necessidade de trabalho em equipe, tanto nos postinhos quanto no Hospital Regional”, argumenta Neide.