“Não tem mais condições de trabalhar com o prefeito Eduardo japonês”, disse o vereador Ronildo Macedo
 
Ao que parece, o prefeito de Vilhena, Eduardo Japonês (PV) perdeu sua base de sustentabilidade na Câmara Municipal. Na sessão da semana passada ele já não conseguiu a aprovação do pedido de urgência para uma matéria que tratava de recursos para o SAAE. Hoje, mais duas derrotas no Legislativo Municipal: a reprovação por unanimidade do pedido de urgência para o projeto de lei que trata da criação de regime de previdência complementar, e a derrubada do veto do prefeito Eduardo Japonês ao Projeto de Lei nº 6.110/2021, de autoria do vereador Pedrinho Sanches (Avante) que estendia o prazo para proprietários de imóveis que precisassem adequar às fossas sépticas instaladas nas calçadas. 
 
Sanches criticou a decisão do Poder Executivo e teve o apoio dos colegas que, por unanimidade, derrubaram o veto do executivo.
 
A assessoria do Palácio dos Parecis informou que houve um equívoco no momento do envio do projeto ao prefeito. Segundo a assessoria, o vereador Pedrinho Sanches enviou uma lei inicialmente que não poderia ser aprovada, por questões técnicas. Junto da PGM e da Prefeitura, Sanches fez uma nova lei, ajustada e que seria aprovada normalmente.
 
No entanto, segundo a assessoria, ao invés de a PGM enviar o projeto atualizado, acabou enviando ao Gabinete a matéria anterior, com erro, o que motivou o veto.
 
A assessoria declarou ainda que o equívoco foi percebido antes da sessão e que foi solicitada a desconsideração do veto. Mas, a Diretoria Legislativa informou que não havia mais prazo legal para uma reconsideração e que o veto iria ser analisado pelos vereadores.
 
Por fim, a assessoria informou o prefeito concorda com a derrubada do veto e que “a matéria será sancionada normalmente em atendimento à pauta justa do vereador Pedrinho Sanches”.
 
As explicações e justificativas da assessoria não amenizam o palpável descontentamento de aliados, como próprio Pedrinho Sanches, que cobrou do Palácio dos Parecis, diálogo. E do presidente do Legislativo, vereador Ronildo Macedo (PV) que integra o mesmo partido do prefeito, e que deixou claro em seu discurso de hoje, o rompimento com o chefe do Poder Executivo.      
 
“Esta Câmara não quer atrapalhar o Poder Executivo de forma alguma. A gente sempre trabalhou em prol da população, em prol da sociedade e vamos continuar trabalhando. Mas, infelizmente, se você não falar 100% o que o Executivo quer ouvir, você se torna inimigo de secretário, você se torna inimigo do prefeito, você não tem mais credibilidade, se torna bandido. Não tem quem aguente ser aliado de uma pessoa que só quer venha a nós e vosso reino nada”, verbalizou Macedo.
 
Na sequência, o vereador foi ainda mais contundente. “É inadmissível a gente viver em um município que tem um prefeito que é ditador. O nosso prefeito é ditador. Eu vinha segurando as pontas, tentando ser parceiro, mas chega uma hora que se tiver um projeto errado na câmara e a gente for fiscalizar, a gente é bandido, é mau, é isso, é aquilo. Eu não dou conta de trabalhar assim”, declarou.
 
Macedo denunciou que, quando chega um projeto do Executivo na Câmara, vem sempre acompanhado de pessoas que vão à sala do secretário legislativo e a sala de reuniões para pressionar. “Peraí, não é assim não. Aqui tem que ter respeito. Somos o Poder Legislativo”, ponderou o parlamentar, antes de declarar: “Não tem mais condições de trabalhar com o prefeito Eduardo Japonês. Ele se reelegeu, mas parece que subiu pra cabeça. Esse ano secretário tudo pode, vereador é um puxadinho. Ninguém pode dar uma opinião contrária senão você é apontado com o dedo.”
 
Nos bastidores, o clima é de ruptura. Após o término da sessão, em conversas ainda no plenário do Poder Legislativo, um vereador comentou: “O 7 de setembro foi na semana passada, mas o grito de independência dessa Casa foi dado hoje”.