O Prefeito de Comodoro (MT), Marcelo Beduschi (PT), acompanhado pelo administrador do Hospital das Clínicas do município, Izael Leite Fernandes, e o secretário de Administração, Jair Teodoro, se reuniu na tarde de ontem (quarta-feira, 16), com a Procuradora da República Samira Engel Domingues, em Cáceres. A reunião teve motivação nas dificuldades enfrentadas pela administração quanto à saúde indígena e a necessidade de se criar uma ala específica para os povos indígenas dentro do Hospital de Comodoro.
Beduschi expôs os problemas e pediu a intervenção do Ministério Público Federal. O prefeito explicou que a demanda é desproporcional ao repasse feito pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa). “Em fevereiro, por exemplo, o Hospital das Clínicas fez mais de 120 atendimentos a índios. O repasse mensal para a unidade receber os pacientes indígenas é de R$ 4,8 mil”, afirmou.
Além dos R$ 4,8 mil destinados à despesas de manutenção do hospital, o órgão federal também repassa R$ 11 mil mensais para a prefeitura, que mantém o atendimento básico nos Postos de Saúde da Família (PSF) e pontos de exames clínicos. “Isso não paga nem o salário de um médico”, lamentou o prefeito, ao garantir que se a situação não mudar, o hospital poderá até fechar as portas, como já ocorreu anteriormente.
O objetivo do prefeito e do administrador do Hospital é melhorar o repasse da Funasa, para que os Nanbikwara, povos que habitam a região de Comodoro, tenham uma saúde diferenciada. “Com uma ala exclusivamente indígena os pacientes poderão receber o tratamento mais prolongado, tendo em vista que nem sempre a recuperação necessária ocorre na aldeia, entre outros benefícios”, explicou o administrador do Hospital.
Beduschi destacou ainda o transtorno, tanto para o poder público como para os pacientes indígenas, em ter que enviá-los para serem atendidos no estado vizinho, Rondônia. A maioria dos pacientes é atendida no Hospital Regional de Vilhena, que enfrenta problemas justamente em virtude da alta demanda. “Nós podemos melhorar e ampliar os procedimentos feitos em Comodoro, mesmo para evitar que nossos índios sejam enviados para outro estado em busca de tratamentos simples, na maioria dos casos, como já é preocupação do Ministério Público Federal”, argumentou o prefeito. Caso a medida pretendida pelo mandatário comodorense seja adotada, haverá sensível diminuição nos procedimentos do Hr de Vilhena, o que, consequentemente, melhorará a qualidade dos serviços oferecidos na cidade.
A procuradora ficou sensibilizada com a situação da saúde indígena em Comodoro e se disponibilizou em dar agilidade ao processo solicitado pelo prefeito e sua equipe. Ainda hoje o prefeito se reúne em Cuiabá com lideranças da Funasa para dar continuidade à discussão e buscar uma saída.
Ação Civil Pública – O prefeito Marcelo Beduschi, em reunião com lideranças da Funasa, também vai cobrar o cumprimento da Ação Civil Pública, de 24 de junho de 2010. No texto deferido, o juiz determinava que no prazo de 90 dias, entre outras exigências, a Funasa contratasse mais dois técnicos de enfermagem para atuação no Posto de Atendimento Indígena de Comodoro e a viabilidade de atendimento dos indígenas por unidade de saúde localizadas em Mato Grosso.