Despesas mostram que mesmo voto não comprado também não é grátis

Uma ferramenta da Justiça Eleitoral, colocada à disposição de todos através da internet, revela os motivos de uma campanha política custar tão caro. Através do “Divulga Cand” (acesse aqui), todos os gastos dos candidatos são listados, mostrando pagamentos feitos a pessoas físicas e jurídicas.

Postos de gasolina, produtoras de mídia e gráficas lideram os gastos, mas o dinheiro também banca profissionais, de advogados a contadores, passando por assessores e até as famosas “formiguinhas”. No caso da última categoria, que recebe a menor remuneração, embora ninguém admita, o valor do contrato de trabalho inclui também o voto.

Nos relatórios virtuais, observa-se uma grande quantidade de trabalhadores recrutados para o período eleitoral, mas as remunerações variam. Num deles, analisado pelo FOLHA DO SUL ON LINE, aparece gente da mesma família trabalhando para um único candidato. Há, inclusive, médico recebendo de candidato a deputado, mas sem a discriminação do tipo de serviço prestado.

Na grande maioria dos casos, as despesas são bancadas por recursos do Fundo Partidário, mas há casos, como os do empresário Jaime Bagattoli (PSL), que concorre a senador, e o ex-prefeito Melki Donadon (PDT), candidato a deputado federal, que não receberam a verba, e bancam suas campanhas com o próprio dinheiro ou através de doações feitas por amigos e familiares.

Mas chama a atenção, seja com dinheiro público o privado, a discrepância de remunerações para a mesma função: enquanto alguns coordenadores de campanha embolsam montantes que variam de R$ 3 mil a R$ 5 mil, outros chegam a faturar até R$ 20 mil reais.

O “investimento”, dizem os entendidos em disputas eleitorais, são indispensáveis para quem tenta entrar ou permanecer na vida pública. Já o instrumento de pesquisa não deixa dúvida: o voto não pode ser vendido. Mas também não é conquistado de graça.