*Dimas Ferreira
 
Peço desculpa e licença aos milhares de leitores do FOLHA DO SUL ON LINE para dar a notícia sem a isenção do texto jornalístico, mas com a tristeza do testemunho pessoal: morreu ontem, aos 67 anos, no Hospital das Clínicas, em Porto Velho, a pioneira vilhenense Maria de Araújo.
 
Baiana de Bom Jesus da Lapa, desembarcou em Vilhena, no ano de 1976, com o marido e os cinco filhos, ainda pequenos. Quatro anos depois, perdia o companheiro, vítima de atropelamento. Criou as quatro moças e o rapaz legando a eles o exemplo da força, da fé e da honestidade.
 
Em 1983, ingressou no serviço público, como merendeira da escola Álvares de Azevedo. Dona Maria permaneceu na ativa até ser diagnosticada com câncer, em 2017, quando passou a buscar tratamento fora da cidade. Não queria se aposentar, e costumava dizer que seu sonho era “receber a cartinha do governo”, quando completasse 70 anos, autorizando-a a desfrutar do benefício previdenciário.
 
Tive a honra e o orgulho de ser transformado em filho por ela. Eram freqüentes minhas visitas à sua casa, nas manhãs de domingo, quando emendávamos uma prosa na outra, enquanto tomávamos café adoçado com rapadura. Meu filho, ainda bebê, adorava o ambiente de paz e carinho da “casa da vovó”.
 
Mulher que ajudou a construir Vilhena, no silêncio de sua residência  modesta, recém-reformada após anos de poupança e sacrifícios, Dona Maria certamente fará muita falta a quem acompanhou sua luta contra os reveses da vida e contra a enfermidade que não conseguiu vencer.
 
A mim, deixará mais que saudades... ela legou o exemplo prático da retidão e do bom humor. Vá em paz, Dona Maria!
 
O corpo da pioneira será velado a partir de hoje à tarde, na casa onde morava, na avenida 1º de Maio, aos fundos do CTG.
 
 
*Dimas Ferreira é editor do FOLHA DO SUL ON LINE