Yuri assumiu posse de arma para tentar ajudar amigos
Os réus acusados de participarem de uma chacina que vitimou 5 jovens no município de Cabixi, em abril do ano passado, foram condenados pelo Conselho de Sentença do Tribunal do Júri em Colorado do Oeste, onde ocorreu o julgamento, encerrado ontem. José Elismar Moura teve a pena fixada em 67 anos e seis meses de reclusão, e Yuri Felipe de Lima, em 81 anos de reclusão, pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe e impossibilidade de defesa das vítimas.
Os denunciados foram submetidos a julgamento durante dois dias e, ontem, 08 de dezembro, eles obtiveram o veredicto desfavorável num placar de 4x3 decidido entre os jurados, que os consideram culpados. Os advogados de defesa de ambos os condenados não se conformaram com a decisão e irão recorrer da sentença de primeiro grau, insistindo na negativa de autoria.
Os dois jovens estão presos desde o ano passado, no presídio Cone Sul, em Vilhena. O advogado de Yuri, de 23 anos, o criminalista José Francisco Cândido, assumiu o caso pouco antes do julgamento e disse à reportagem que está mais que inconformado com o resultado. Ele lamenta que não pode dar assistência ao denunciado desde o início do processo e que uma declaração insensata resultou “no trágico desfecho do processo oriundo de um crime que ele nem sequer cogitou de participar”. Yuri nunca teria nem mesmo visitado a cidade de Cabixi e assistiu um clássico vilhenense de futebol entre o Barcelona e o VEC, que aconteceu na noite do crime.
A VERSÃO DA DEFESA
Cerca de dois meses após o massacre que chocou a comunidade de Cabixi e região, a Polícia Militar de Vilhena realizou abordagem a um veículo, que transportava quatro pessoas. Na ocasião, foram encontradas pelo menos quatro armas, entre elas uma de fato pertencia a Yuri. Em nenhum momento ele negou que a arma realmente era sua e que tinha a intenção de vendê-la, conforme as declarações colhidas em juízo. Segundo declarou, estava desempregado com a mulher grávida e tinha uma criança de um ano e meio de idade.
No momento da abordagem policial, Yuri tentou proteger companheiros que cumpriam condicional e, se assumissem o porte das armas, teriam que retornar para a cadeia. Foi aí que a situação dele se complicou. Assumiu, juntamente com sua arma, que tinha a propriedade de uma pistola .40, justamente a que fora utilizada no crime, sendo compatível uma cápsula encontrada no corpo da jovem Larissa Massaroli de 23 anos, morta no atentado.
O advogado José Francisco disse que está convicto da inocência de Yuri. Insatisfeito com o posicionamento dos jurados ele pretende agora apelar no Tribunal de Justiça. “Eu contava em levá-lo de novo para casa. Infelizmente, o submundo do crime ocasiona esse tipo de risco mas, especialmente nesse caso, por uma questão de honra, insistirei em continuar na defesa, porque comprovadamente Yuri Felipe de Lima não é culpado”, declarou.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 07 de Dezembro de 2018, às 19:23