Paulista de Andradina, Vitório Alexandre Abrão chegou em Vilhena em 1972. Logo entrou na política e conquistou, no voto, em 1982, o cargo de primeiro prefeito da cidade, que lhe foi tomado no tapetão dois anos depois. Hoje aos 61 anos, o ex-prefeito continua ativo nas articulações, mas diz não tem mais interesse em ser candidato a nada. Vitório concedeu a seguinte entrevista à FOLHA DO SUL, na semana passada:

FS: Você foi o primeiro prefeito eleito e também o primeiro cassado em Vilhena. Havia corrupção na sua administração?
O que houve em Vilhena naquela época foi uma intervenção política, cujo relatório final não apontou nenhum caso de corrupção. Acabaram me condenando por detalhes técnicos. Se tivesse havido corrupção, eu e os meus secretários seríamos ricos. Saíram (inclusive eu) todos pobres da Prefeitura.

FS: Há mais de três anos você promete instalar um frigorífico na região, mas o empreendimento não sai do papel. Por quê?
O frigorífico de bovinos e ovinos que levei de Vilhena para a cidade de Comodoro (MT) sai do papel nos próximos dias. Esse é um setor que está muito monopolizado e, por isso, pequenos empreendedores não conseguem financiamentos. Me aliei a um grupo de empresários europeus, que vão investir recursos próprios nessa indústria.
FS: Quem será o seu candidato a prefeito este ano?
Meu candidato preferencial é o ex-prefeito Melki Donadon, cuja participação na próxima eleição depende da justiça eleitoral. Agora, caso ele realmente fique fora, vou estudar as opções e definir, junto com meu grupo, que rumo tomar. Hoje, fora o Melki, não tenho preferência por nenhum nome.
FS: O que o levou a mover ação contra o promotor Paulo Lermen?
Não foram ações, e sim denúncias: fiz três representações contra ele no Conselho Nacional do Ministério Público, porque que entendo que estou sendo perseguido. Só um exemplo: ele embargou um loteamento meu às margens do igarapé Pires de Sá, mas o que fez em relação a outros imóveis que estão na mesma situação?
FS: Você acha que se elegeria para alguma coisa se disputasse uma eleição hoje?
Não tenho mais interesse na vida pública como candidato, mas acho que teria boas chances de me eleger, inclusive prefeito, se juntasse um bom grupo em volta. Modéstia à parte, acho que Vilhena sente muita falta de um prefeito como fui há 30 anos.