Aos 54 anos, o motorista Luiz Antônio Justo, deu entrada no Hospital Regional de Vilhena como indigente. Ele chegou à unidade numa ambulância do Corpo de Bombeiros, após desmaiar quando comprava pão no centro da cidade.
O surpreendente na biografia do paciente, que é andarilho, é que ele conseguiu tirar sua carteira profissional de motorista mesmo vivendo nas ruas. Justo disse que, quando teve oportunidade de emprego, usou o dinheiro do salário para se qualificar.
Emocionado, o motorista revelou que vive nas ruas desde os 14 anos, quando o pai “caiu no trecho”. Órfão de mãe desde os 3 anos, Luiz revelou que é da cidade de Paraguaçú Paulista (SP) e há anos trabalha em fazendas da região.
O andarilho confessa que tem problemas com a bebida, o que o impede de se manter em empregos estáveis. Sempre que recebe o salário nas propriedades em que trabalha, gasta tudo com mulheres e bebidas, sendo obrigado a voltar à vida mambembe.
Quando chegou ao hospital vilhenense, Justo apresentava problemas respiratórios, reflexo da exposição ao frio. Ele mora em terrenos baldios junto com outros sem-teto e diz que há dois anos, com muito esforço, conseguiu renovar sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) série D, mas ainda não tem ânimo para permenecer nos raros empregos que encontra.