O médico J. H. T., que estava de sobreaviso no sábado, quando um jovem baleado deixou de ser operado no Hospital Regional de Vilhena, porque ele não foi encontrado, veio à redação do FOLHA DO SUL ON LINE para falar sobre o episódio. Pediu para ter sua identidade preservada ao dar as declarações.
De acordo com o anestesista, ao contrário do que tem circulado nos veículos de comunicação da cidade e nas mídias sociais, ele não recebeu nenhuma ligação pedindo para ir ao HR ou foi procurado em casa na data do incidente.
O médico argumentou que uma falha no aparelho telefônico da unidade de saúde pode ter impedido que as chamadas para o seu celular fossem feitas. “As linhas de lá falham até nas ligações internas, quando a gente tenta falar de um ramal com outro”, diz, jurando que o interfone de seu apartamento também não tocou.
Uma amiga de J., que o acompanhou até a redação, mostrou uma mensagem deixada por ele em seu celular, para comprovar que o aparelho do médico estava ativo no dia do fato.
O anestesista revelou que está de aviso prévio no HR, pois pretende se mudar para Cacoal, onde irá trabalhar na rede municipal e no Hospital Regional de lá. O especialista diz que a Prefeitura de Vilhena não vem pagando por seu trabalho como está no contrato. Além disso, segundo diz, as condições do hospital local estão “péssimas”, dificultando o trabalho dos profissionais. O médico denuncia: nas atuais condições, os índices de infecções hospitalares tendem a aumentar, prejudicando tanto a equipe quanto os que recebem atendimento no estabelecimento.